Donald Trump terá ficado de fora das reuniões durante o resgate de um piloto norte-americano no Irão. O presidente terá sido atualizado apenas por telefone, alegadamente porque a sua “impaciência” não iria “ajudar”.
Foi há quase um mês que dois pilotos norte-americanos foram atingidos nos seus caças F-15 enquanto sobrevoaram o Irão, tornando-se os primeiros norte-americanos a cair em território iraniano desde o início do conflito.
Um deles foi prontamente resgatado, mas demoraram dias até que o segundo conseguisse regressar à segurança – e durante esse tempo, Donald Trump terá ficado de fora das reuniões.
Segundo o Wall Street Journal (WSJ), que cita fontes próximas da situação, quando o presidente norte-americano teve conhecimento do que tinha acontecido “gritou com os seus conselheiros durante horas”.
Diz o mesmo meio que “imagens da crise de reféns no Irão de 1979 – um dos maiores fracassos da política internacional de uma presidência nos últimos tempos – estavam bem presentes na sua mente”.
Em março, Trump já tinha comentado que tinha sido esta mesma situação que tinha “custado a eleição” a Jimmy Carter. Agora, Trump encontra-se numa situação semelhante, com eleições para o Congresso à porta e sondagens a mostrarem, cada vez mais, um descontentamento para com o presidente norte-americano.
Na altura da queda dos F-15, a maior parte dos conselheiros séniores e representantes da administração, incluindo o vice-presidente, JD Vance e a Chefe de Gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, estiveram quase fechados durante 24 horas numa sala a receber atualizações ao minuto e a pensar no que poderia ser feito para resgatar o piloto desaparecido.
Trump, contudo, não estaria presente nas reuniões, mas seria atualizado “de momentos significativos” por telemóvel, relata o WSJ.
“Os conselheiros mantiveram o presidente fora da sala enquanto recebiam atualizações ao minuto porque acreditavam que a impaciência dele não ia ajudar a situação”, afirmou uma fonte ao mesmo jornal.
Em resposta ao WSJ sobre esta situação, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt defendeu que Trump “permaneceu o líder constante de que o país precisa”.
“O presidente Trump fez campanha com a promessa de impedir o regime iraniano de desenvolver uma arma nuclear, que é precisamente o que esta nobre operação está a conseguir”, acrescentou ainda.

Dois caças foram abatidos no início de abril
A 3 de abril um caça F-15 foi abatido pelo exército iraniano, sendo a primeira aeronave norte-americana a cair em território do Irão desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Um dos dois pilotos do caça conseguiu ejetar-se em segurança e foi logo resgatado com vida pelas tropas norte-americanas, que começaram uma frenética busca e salvamento pelo outro tripulante, enquanto o Irão prometia também uma recompensa para quem entregasse o “piloto inimigo”.
As buscas concentraram-se numa região montanhosa nas províncias de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste do Irão.
Pouco tempo depois, a Guarda Revolucionária do Irão afirmou ter abatido outro avião norte-americano, que estava envolvido nas operações de resgate do piloto.
Na noite de sábado, Trump anunciou que o piloto tinha sido retirado do Irão em segurança, garantindo que “sofreu ferimentos, mas vai ficar bem”.
O republicano acrescentou que o resgate envolveu “dezenas de aeronaves” e que os EUA estavam a acompanhar a localização do piloto “24 horas por dia e a planear diligentemente o seu resgate”.
Posteriormente, adiantou que o piloto estava “gravemente ferido” após ter sido resgatado “das profundezas das montanhas do Irão” em plena “luz do dia”.
RCP News
by Priscila Thomas

