FIFA atinge marca histórica de quase 750 milhões em repasses às federações

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A FIFA distribuirá um recorde de 871 milhões de dólares americanos, aproximadamente 748 milhões de euros (ME) ao câmbio atual, em contribuições financeiras no Mundial2026 de futebol, destinando, pelo menos, 21,5 milhões de dólares (18,5 ME) a cada federação.

Em dezembro de 2025, o organismo tinha aprovado uma verba global de 727 milhões de dólares (624 ME), que foi aumentada em abril, devido ao “grande sucesso comercial” da principal prova internacional de seleções.

A FIFA vai destinar 655 milhões de dólares (563 ME) como recompensa pelo desempenho das seleções participantes na fase final do Campeonato do Mundo, cuja 23.ª edição integra pela primeira vez 48 equipas, incluindo Portugal, e decorre de 11 de junho a 19 de julho, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

Nessa componente, o próximo campeão do mundo vai receber 50 milhões de dólares (42,9 ME) – acima dos 38 destinados em 2018 e dos 42 pagos em 2022 – e o finalista vencido ficará pelos 33 (28,3 ME), cabendo ao terceiro e quarto classificados 29 (24,9 ME) e 27 (23,2 ME), respetivamente.

As seleções que acabarem entre o quinto e o oitavo lugares embolsam 19 milhões de dólares (16,3 ME) e do nono ao 16.º há prémios de 15 (12,9 ME), enquanto terminar da 17.ª à 32.ª posições vale 11 (9,5 ME), contra os nove (7,7 ME) inerentes a uma classificação entre o 33.º e o 48.º postos.

Além das bonificações por desempenho, cada federação arrecadará 2,5 milhões de dólares (2,1 ME) para suportar as despesas de preparação para a fase final, que vai ser disputada durante cinco semanas e meia, período nunca visto na história da competição, e reparte encontros por 16 cidades-sede – 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá.

A qualificação para o torneio rende individualmente 10 milhões de dólares (85,8 ME), sendo que os gastos com deslocações de comitivas e o reforço da dotação de bilhetes para as federações implicam mais de 16 (13,7 ME).

Em paralelo, parte das receitas será redistribuída pelas 211 federações filiadas no organismo através de programas de desenvolvimento do futebol, após várias terem alertado para o risco de perdas financeiras associadas à presença na fase final, face aos custos significativos na América do Norte.

“A FIFA orgulha-se de estar na sua posição financeira mais sólida de sempre, o que permite ajudar todas as associações-membro de uma forma sem precedentes. Este é mais um exemplo de como os recursos da FIFA são reinvestidos no futebol”, reconheceu em abril o presidente do organismo, o ítalo-suíço Gianni Infantino, após a aprovação dos aumentos.

Segundo o regulamento do torneio, muitas despesas já são cobertas pela FIFA, que contribui, entre outros fatores, com passagens aéreas em classe executiva entre as cidades dos jogos e os centros de estágios às comitivas com, no máximo, 50 pessoas, além de alojamento e alimentação por cinco noites antes da estreia da equipa e até uma noite depois da última partida.

Quaisquer custos adicionais que excedam esse limite de pessoas – 26 são jogadores – estão a cargo de cada federação nacional, que é responsável igualmente por garantir na íntegra os seguros dos membros da delegação.

Os 727 milhões de dólares comunicados em dezembro já tinham superado em quase 49% os 488 (418,9 ME) totalizados na edição de 2022, no Qatar, num somatório formado por 440 (377,7 ME) em prémios de desempenho e 1,5 (1,29 ME) em ajudas de custo, que foram iguais para as 32 seleções.

A Argentina recebeu 42 milhões de dólares (36,1 ME) pela conquista do troféu, ao reeditar os êxitos de 1978 e 1986, ao passo que Portugal não passou dos 17 (14,6 ME) ao ser eliminado por Marrocos nos quartos de final – acrescentando a contribuição para os custos de preparação, os sul-americanos totalizaram 43,5 (37,3 ME), contra 18,5 dos lusos (15,9 ME).

O relatório da FIFA sobre o ciclo 2019-2022 indica que o último Mundial ditou 1.831 mil milhões de dólares de investimento (1.572 mil ME) – 24% em prémios de desempenho – e 6.314 mil de receitas (5.420 mil ME), sendo descrito como o torneio mais lucrativo da história do organismo.

No período entre 2019 e 2022, a competição representou 29% dos 6.302 mil milhões de dólares (5.412 mil ME) despendidos e 83% dos 7.568 mil (6.499 mil ME) auferidos pela FIFA, números que subirão até ao fim do ciclo 2023-2026.

Por entre as previsões universais de 13 mil milhões de dólares (11,2 mil ME) em receitas e de 12.900 mil (11,1 mil ME) em investimentos, o organismo estimou um orçamento de 3.756 mil (3.224 mil ME) para o Campeonato do Mundo, na expectativa de arrecadar, pelo menos, 11 mil (9,4 mil ME).

Se os proveitos estão dependentes de direitos de transmissão audiovisual, comercialização, licenciamento, hospitalidade e venda de ingressos, entre outros rendimentos, os gastos da competição incidem maioritariamente em despesas operacionais, prémios às seleções e compensações aos clubes.

Em 2022, a FIFA distribuiu 209 milhões de dólares (179,4 mil ME) entre 440 emblemas, de 51 federações, pela cedência de 837 jogadores, cenário que aumentará quase 70% quatro anos depois, ao atingir 355 mil (304,9 mil ME).

Integrado no renovado memorando de entendimento assinado em março de 2023 entre a FIFA e os Clubes Europeus de Futebol (EFC), o fundo de solidariedade vai pela primeira vez recompensar diretamente todos os emblemas que disponibilizaram atletas para a qualificação ou a fase final.

RCP News

by Priscila Thomas