Os Estados Unidos voltam, 32 anos depois, a receber um Campeonato do Mundo de futebol, hoje num cenário bem diferente do que em 1994, em que o ‘soccer’ ainda era praticamente amador e sem qualquer impacto na sociedade local.
OMundial2026, em que desta vez vão partilhar a organização com Canadá e México, será uma ‘prova de fogo’ para os Estados Unidos, naquela que será uma nova tentativa em fazer chegar o ‘soccer’ aos parâmetros dos principais desportos do país, como o basquetebol, o futebol americano, o hóquei no gelo e o basebol.
Mesmo com o crescente interesse pela modalidade no país, a verdade é que o ‘soccer’ continua sem competir com aqueles que são tradicionalmente os desportos mais seguidos pelos norte-americanos.
Agora, o país já têm uma liga profissional (MLS), que atraiu várias ‘estrelas’ na últimas duas décadas, como o inglês David Beckham, o sueco Zlatan Ibrahimovic e, mais recente, o argentino Lionel Messi, cenário esse que já tinha acontecido nos anos 70 do século passado, com Eusébio, Pelé e George Best, mas num contexto altamente amador.
Essa foi mesmo a primeira tentativa dos Estados Unidos em tentar ganhar alguma importância naquele que é o desporto mais seguido no mundo, mas que acabou totalmente por falhar.
Além da MLS, que foi fundada em 1996 e que foi um imposição da FIFA para os norte-americanos receberem o Mundial1994, o investimento em novos estádios e infraestruturas foram colossais, com todos os recordes de assistência e público a caminho de serem batidos nos próximos dias.
Mesmo com o tal desinteresse pelo ‘soccer’, o Mundial1994 foi um êxito estrondoso e até hoje é o Campeonato do Mundo que teve mais espetadores nos estádios (mais 3,5 milhões) e que tem a melhor média de assistências (68.991).
Com o aumento para 48 seleções e um total de 104 jogos a disputar, esses recordes vão ser certamente superados, ainda mais tendo em conta a capacidade de 94.000 espetadores que tem o Dallas Stadium, os 83.00 do Azteca, na Cidade do México, e os 82.500 do Metlife Stadium, palco da final, localizado entre Nova Iorque e Nova Jersey.

Os recintos com menos capacidade estão em Guadalajara, no México, e em Toronto, no Canadá, e mesmo assim com condições para 48.000 e 45.000 adeptos, respetivamente.
Três décadas depois, as diferenças são também bem patentes na seleção dos Estados Unidos, que chega à competição com 18 jogadores a atuarem fora do país, 17 no futebol europeu, ao contrário dos apenas sete em 1994.
Mesmo assim, os Estados Unidos, sob o comando do lendário técnico sérvio Bora Milutinovic, chegaram aos oitavos de final e só caíram perante o Brasil, e por 1-0, seleção que acabaria por se sagrar campeã mundial.
Nessa equipa ‘canarinha’ já estava um ‘miúdo’ de 17 anos chamado Ronaldo, que acabou por não fazer qualquer jogo, mas que mais tarde ficou para a história como um dos maiores avançados do Brasil e também da história do futebol.
O Mundial1994 foi repleto de momentos eternos, como o penálti falhado pelo italiano Roberto Baggio na final ou as campanhas totalmente surpreendentes de Bulgária e Suécia, que chegaram às meias-finais, mas também teve momentos trágicos.
Ainda na fase de grupos, os Estados Unidos venceram a Colômbia, por 2-1, beneficiando de um autogolo de Andrés Escobar, episódio que levou ao assassínio do defesa central quando regressou ao seu país.
Depois de uma fase de qualificação sul-americana em que fez frente a Brasil e Argentina, os colombianos foram com ‘tudo’ e com todos os ‘sonhos’ para os Estados Unidos, mas acabaram por não passar da fase de grupos.
O Mundial1994 foi também o último que viu Diego Maradona vestir a camisola da Argentina e de forma polémica, tal como foi toda a carreira, e até vida, do antigo ’10’.
Maradona apareceu em grande forma no torneio, mas após a segunda jornada foi suspenso por ter tido um resultado positivo num controlo antidoping.
O 2-1 frente à Nigéria, em 25 de junho, no Foxboro Stadium, em Massachusetts, recinto entretanto já desaparecido, foi o último palco de Maradona em Mundiais e o último jogo com a camisola do seu país. O esquerdino assinou uma assistência no ‘bis’ de Claudio Caniggia, antigo avançado do Benfica.
Portugal esteve ausente desse Campeonato do Mundo, mas desta vez já tem ‘visto’ garantido, naquele que será o nono Mundial da seleção lusa, sétimo seguido.
O Mundial2026 vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho.
RCP News
by Priscila Thomas

