O parlamento cubano pediu hoje apoio a uma dezena de organizações parlamentares internacionais para “impedir uma aventura militar” de Washington contra a ilha.
A vice-presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), Ana María Mari Machado, afirmou que o presidente deste órgão legislativo enviou cartas urgentes a 10 organizações interparlamentares para informar que Cuba se encontra “sob a ameaça real e perigosa de uma agressão militar” por parte dos Estados Unidos
O presidente da ANPP, Esteban Lazo, solicitou a “mobilização e declarações de apoio” para impedir qualquer ação militar contra a ilha, o que, na sua opinião, “provocaria uma catástrofe humanitária e desestabilizaria a região da América Latina e das Caraíbas”, continuou Machado.
A vice-presidente da ANPP acrescentou que foram enviadas cartas aos responsáveis de organizações parlamentares que representam grupos como os BRICS, o Movimento dos Países Não Alinhados, a Associação das Nações do Sudeste Asiático, o Parlamento Pan-Africano, o Mercosul e outros da América Latina e das Caraíbas.
Segundo Machado, as cartas denunciam as ações de Washington contra Havana, tais como o bloqueio petrolífero, as sanções reforçadas e as acusações contra o ex-presidente cubano, Raúl Castro, pelo abate de dois aviões ligeiros e a morte dos respetivos tripulantes há 30 anos.
“Estes factos injustos e agressivos não só ultrapassam os princípios do Direito Internacional e violam a soberania e a dignidade da nossa nação, como têm o objetivo perverso de recrudescimento do bloqueio ilegítimo e da sua política de asfixia contra o nosso heroico povo”, referiu.
As cartas reiteram, além disso, que “Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos com base no respeito pela soberania, pelo sistema político, pela autodeterminação e pelos princípios do Direito Internacional”.
Momentos antes, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse estar confiante de que o diálogo entre Havana e Washington terá um “bom resultado”.

“Vamos falar com eles, vamos trabalhar nisso, queremos algo de bom para o povo cubano e, com sorte, haverá um bom resultado para eles. Tem de haver”, disse Rubio durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, liderada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Washington tem pressionado o Governo cubano desde janeiro passado para que introduza reformas económicas e políticas.
No âmbito dessa escalada, impuseram um bloqueio petrolífero que agravou significativamente a crise estrutural que o país já enfrentava e alargaram as sanções contra setores vitais da economia.
Além disso, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou acusações contra o ex-presidente Raúl Castro por ter ordenado, quando era ministro das Forças Armadas, o abate, em 24 de fevereiro de 1996, de dois aviões de uma organização da oposição, o que provocou a morte de três cidadãos cubano-americanos e de um cubano residente legal nos EUA.
Este caso suscitou especulações sobre se a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, está a preparar a captura de Castro, tal como fez em janeiro na Venezuela com Nicolás Maduro, que enfrenta um julgamento por tráfico de droga nos Estados Unidos.
RCP News
By Priscila Thomas

