O objetivo do projeto “Multibanco Social” passará pela instalação de caixas automáticas em juntas de freguesia de regiões onde as populações têm maior dificuldade no acesso a numerário.
O“Multibanco Social” é uma iniciativa que vai arrancar até ao final do ano em duas dezenas de freguesias, com o objetivo de facilitar o acesso ao numerário em regiões mais isoladas e onde os cidadãos têm mais dificuldade em levantar dinheiro.
De acordo com a imprensa económica, o objetivo passará pela instalação de caixas automáticas em juntas de freguesia de regiões onde as populações têm maior dificuldade no acesso a numerário.
Este ano, o projeto deverá arrancar em cerca de 20 freguesias.
O Notícias ao Minuto está a tentar obter mais informações junto da SIBS, que confirmou ao jornal Eco estar envolvida no projeto “em conjunto com diversas entidades públicas, numa solução que alargue o acesso a numerário e outras operações financeiras do dia-a-dia a regiões nacionais identificadas no estudo do Banco de Portugal de ‘Avaliação da cobertura de rede de Caixas Automáticos e Agências Bancárias’ como mais distantes de um ponto de acesso”.
A SIBS adiantou ainda ao mesmo jornal que a solução será apresentada “de forma mais detalhada até final do primeiro semestre do ano, em articulação com as diferentes entidades que participam neste projeto”.
O Jornal Económico conta também que a iniciativa partiu de um operador que está a procurar instituir uma espécie de “Multibanco Social” junto de freguesias em lugares mais remotos no acesso a numerário.

Essa instituição, revela o mesmo jornal, terá feito a proposta que está em análise no supervisor bancário, mas não foi possível apurar a sua identidade.
“Devemos assegurar que numerário permanece facilmente acessível a todos”
Em outubro, recorde-se, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, disse, em Lisboa, que o sistema bancário tem de manter suficientes caixas automáticas em todo o país para garantir que a população consegue aceder facilmente a dinheiro físico.
Santos Pereira afirmou que o Banco de Portugal é neutral quanto aos instrumentos de pagamentos e à escolha dos cidadãos e que, precisamente por isso, faz parte das suas competências assegurar que os cidadãos que queiram aceder a dinheiro ‘vivo’ o consigam em todo o território de Portugal.
Para isso, defendeu que é preciso que o sistema bancário faça investimentos adequados nas máquinas de distribuição de numerário em todo o país.
“Embora a importância dos pagamentos digitais tenha vindo a aumentar, devemos assegurar que o numerário permanece facilmente acessível a todos os portugueses. Para tal, é essencial manter o investimento adequado na infraestrutura de distribuição de numerário em todo o território”, afirmou.
Nos últimos anos tem sido recorrente o tema das caixas automáticas para levantamento de dinheiro, depois de terem diminuído sobretudo as da rede Multibanco.
Em início de setembro, a Denária, associação que defende a utilização do numerário como um meio de pagamento, criticou os “desertos de numerário” em Portugal, devido à falta de caixas multibanco, considerando que afeta sobretudo os grupos mais isolados e vulneráveis.
A associação citava dados do Banco de Portugal de 2022, segundo os quais 1.276 freguesias (41%) não tinham qualquer ponto de acesso a dinheiro físico.
Para a associação, é imperativo reforçar a cobertura da rede e garantir que todos os portugueses mantêm o direito de utilização do numerário, o meio de pagamento mais utilizado em Portugal.
Dados do Banco de Portugal de 2024 indicam que existiam então cerca de 13.000 caixas automáticas em Portugal.
RCP News
by Priscila Thomas

