A senadora australiana que usou burca no parlamento, como forma de protesto contra a veste muçulmana, na segunda-feira, foi suspensa dos trabalhos durante o resto do ano. A moção de censura foi movida pela líder do governo no senado, que considerou que a parlamentar “ridicularizou e difamou toda uma religião”.

senadora australiana que usou burca no parlamento, como forma de protesto contra a veste muçulmana em espaços públicos, na segunda-feira, foi suspensa dos trabalhos durante o resto do ano, esta terça-feira.
A líder do partido de extrema-direita One Nation, Pauline Hanson, provocou indignação junto dos restantes parlamentares, depois de ter envergado uma burca por aquele órgão político se ter recusado a avaliar a sua proposta de proibição desta e de outras vestes que cubram a face em locais públicos.
A mulher de 71 anos foi suspensa durante o resto do dia e, como não apresentou um pedido de desculpas, os parlamentares aprovaram uma moção de censura que impôs um dos castigos mais severos nos últimos anos. Isto porque, conforme noticiou a Associated Press, Hanson foi impedida de participar em sete dias consecutivos de plenários do senado. Tendo em conta que os trabalhos deste ano encerram na quinta-feira, a suspensão aplicar-se-á quando o parlamento regressar da pausa, em fevereiro de 2026.
A moção foi movida pela líder do governo no senado, Penny Wong, que considerou que Hanson “ridicularizou e difamou toda uma religião” praticada por quase um milhão de australianos.
senadora australiana e líder do partido de extrema-direita One Nation, Pauline Hanson, provocou indignação no parlamento por ter usado burca após ter defendido a proibição da veste muçulmana. O episódio foi condenado, tendo um dos seus colegas – uma senadora muçulmano – acusado Hanson de “racismo flagrante”.
Conta a BBC News que a senadora de Queensland queria apresentar um projeto de lei que proibiria o uso de vestes muçulmanas que tapam o rosto em público. Um assunto pelo qual a senadora faz já campanha há algum tempo.
Esta é, aliás, a segunda vez que Pauline Hanson aparece no parlamento australiano com uma burca, afirmando que esta iniciativa era uma forma de protesto contra a rejeição do seu projeto de lei pelo Senado.
O sucedido aconteceu esta segunda-feira quando Hanson tentava apresentar o projeto de lei, mas acabou por ser impedida pelos seus colegas senadores. Assim, saiu da sala e regressou envergando uma burca.
“Esta é uma senadora racista, que demonstra um racismo flagrante”, apontou a senadora muçulmana do Partido Verde de Nova Gales do Sul, Mehreen Faruqi.
Uma outra senadora classificou o episódio como “vergonhoso”. Já a ministra dos Negócios Estrangeiros, que é a líder do governo no parlamento australiano, condenou o sucedido, descrevendo-o como “desrespeitoso”.
“Representamos nos nossos estados pessoas de todas as crenças e origens. Devemos fazer isso com dignidade”, referiu, acrescentando que Hanson “não era digna de ser membro do Senado australiano” e apresentou uma moção para suspender a líder do One Nation por não ter tirado a peça de roupa.
Quais são os países onde o uso de burca é proibido?
Mais de 20 países proibiram o uso em espaços públicos de burcas e outros véus que cubram o rosto das mulheres, alegando proteção de valores seculares, combate ao extremismo religioso ou mesmo razões de segurança pública.

França, Áustria, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Espanha, Itália ou Portugal (desde outubro deste ano) são alguns dos países que integram esta lista.

Rcp news
by : João Conceição
