“Corrupção” e “contradições” O debate entre Andre Ventura e Luis Marques Mendes

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André Ventura e Luís Marques Mendes , estiveram, esta terça-feira, frente a frente para mais uma ronda de debates para as eleições presidenciais de 2026.

Num debate intenso, Luís Marques Mendes considerou que André Ventura é “um falso candidato” e “não tem propostas concretas e exequíveis” para ser Presidente da República. Por seu turno, o líder do Chega atacou dizendo que para “a casta de elite” pode “não ter nível”, mas defendeu ser “a voz do povo português”

Luís Marques Mendes, André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim Figueiredo e Jorge Pinto estão na corrida a Belém.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026. Recorde-se que esta é a 12.ª vez (incluindo as duas voltas das eleições de 1986) que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976,

O combate à corrupção dominou hoje o debate entre os candidatos presidenciais Marques Mendes e André Ventura, com o primeiro a propor um Conselho de Estado sobre o tema e o segundo a acusar o adversário de defender uma elite.

Corrupção” foi tema em debate aceso entre Marques Mendes e Ventura

O combate à corrupção dominou hoje o debate entre os candidatos presidenciais Marques Mendes e André Ventura, com o primeiro a propor um Conselho de Estado sobre o tema e o segundo a acusar o adversário de defender uma elite.

“Para a sua casta de elite posso não ter nível, mas sou a voz do povo”

“O homem que está à minha frente era o homem que dizia que com o BES estava tudo bem, era um banco sólido. Hoje, diga isso aos milhares de lesados, aos que perderam as poupanças todas”, acusa André Ventura.

E acrescenta: “Para a sua casta de elite posso não ter nível, mas sei que sou a voz do povo português contra as vossas elites”.

Marques Mendes defende que “não é irresponsável”.

“Eu sou o candidato das pessoas. Marques Mendes é o candidato das elites que nos estão a destruir há anos”, atira André Ventura.

“André Ventura não tem propostas concretas e exequíveis”

Sobre o facto de ter dito que André Ventura não tem nível para ser Presidente da República, Luís Marques Mendes é questionado sobre o que mais o preocupa, a retórica ou uma ameaça e responde: “Não tem soluções como se viu aqui esta noite. O que faz André Ventura? É uma técnica habitual. Ataques pessoais. Primeiro, é ver se irrita o adversário. Segundo, a preocupação é ocupar o tempo para disfarçar a ausência de propostas e soluções”, frisa.

“André Ventura não tem propostas concretas e exequíveis no que diz respeito ao poder do Presidente da República para assunto nenhum”, sublinha.

“Os portugueses conhecem-me e sabem que sempre fui muito independente”

“A questão de André Ventura é clarinha. É a cassete habitual. Antigamente, tínhamos a cassete do PCP e agora temos a nova cassete da política portuguesa que é a da política portuguesa”, refere Luís Marques Mendes.

Sobre Miguel Albuquerque, Marques Mendes afirma que “não está condenado, nem julgado e até pediu para ser ouvido”. “Os portugueses conhecem-me e sabem que sempre fui muito independente”, salienta. 

André Ventura atira que Passos Coelho prefere apoiar o líder do Chega do que Marques Mendes.

“Não me venha dar lições de moral”

André Ventura atira que o partido de Marques Mendes “está cheio de corrupção”, dando como exemplo o caso do presidente regional da Madeira, Miguel Albuquerque.

“Não me venha dar lições de moral”, diz.

Ventura considerou que Marques Mendes está “na mão de um partido” e defende que “Presidente da República não deve ser muleta do Governo”.

Marques Mendes: “Já tomei posições com coragem e muita independência”

Marques Mendes reitera que não está do lado da corrupção. “Quero melhorar, intensificar o combate à corrupção”. 

“Defendia a recondução de Joana Marques Vidal, ao contrário da decisão de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa”, afirmou, acrescentando que Joana Marques Vidal teve “coragem impressionante” na Operação Marquês.

Marques Mendes considera que o que divide os dois “é esta ideia de que tudo é corrupto e são todos ladrões”.

Questionado sobre qual seria a sua posição enquanto Presidente da República se um primeiro-ministro fosse constituído arguido, Marques Mendes sublinha que não coloca cenários. “Não vou colocar questões em termos de cenário. A minha teoria está muito clara e foi concretizada. Eu já tomei posições com coragem e muita independência”.

“Se a fação é ser contra a corrupção, segurança, então sou de fação”

“Se eu sou um falso candidato e em algumas sondagens estou à sua frente, imagine o papel que está a fazer”, ataca André Ventura. 

E acrescenta: “Se estou na eleição errada e estou à sua frente, imagine como você está. Está mesmo mal”.

“Se a fação é ser contra a corrupção, segurança e estar cansado de estar a sustentar os outros, então sou de fação […] Eu sou o candidato que quer uma justiça a funcionar. Só mostra que, tal como Gouveia e Melo, estão na mesma lógica, não atacar políticos corruptos, mas atacar a justiça que investiga os políticos corruptos”, diz.

Ventura “cai com facilidade nas contradições”

Luís Marques Mendes defende que o que “disse não é conversa da treta, é avançar com propostas de soluções”. 

“O senhor cai com uma facilidade nas contradições. O senhor acha que não é importante um Conselho de Estado para aproximar posições para um acordo em matéria da reforma de Justiça e combate de corrupção, mas, no ano passado, propôs ao Presidente da República, publicamente, um Conselho de Estado sobre segurança. Segurança é importante, mas já não é importante a minha proposta em matéria de Justiça e combate à corrupção”, nota. 

“Um Presidente da República não governa, mas deve usar a sua magistratura de influência para fazer entendimentos de regime”, aponta.

Marques Mendes volta a acusar André Ventura de ser um “falso candidato nas eleições presidenciais”.

“Nasci em Democracia e o que eu vi foi corrupção”

Questionado sobre as suas palavras acerca de Portugal estar a viver uma epidemia de corrupção que varre todas as estruturas, André Ventura refere que a frase “é do general Ramalho Eanes, que é um exemplo”. 

“Se acha que é um Conselho de Estado vai resolver o problema da corrupção, só mostra que vai fazer o mesmo que todos os outros que é nada. Eu tenho uma vantagem, é que no Parlamento já apresentámos centenas de propostas”, diz, acrescentando que o PSD rejeitou estas propostas.

Ventura considera que “há mesmo uma epidemia de corrupção nas estruturas locais e nacionais”, salientando, por exemplo, as “estruturas da Saúde”.

“Eu nasci em Democracia e o que eu vi nesta Democracia foi corrupção, corrupção corrupção. Não me venham pedir para olhar 100 anos para trás ou 200. Quero acabar com ela agora, quero um futuro para os jovens. Não quero ser um candidato do velho do Restelo”, atira.

André Ventura “não é candidato a xerife da República”

“Para si todos são ladrões, todos são bandidos, todos são vigaristas”, atira Marques Mendes.

“O senhor passa a vida a interromper […], é uma atitude de fraqueza, sabe porquê? Quer dizer que não tem coragem de ouvir os outros argumentos”, acusa Luís Marques Mendes. 

Luís Marques Mendes considera que Ventura “está a branquear o regime anterior” – ditadura -, ao dizer que o país precisa de “três Salazares”. “A imagem que quer passar é que antes do 25 de Abril não havia corrupção. No regime anterior, havia tanta ou mais corrupção do que agora”, afirma. 

“O senhor não é polícia, não é magistrado, também não é candidato a xerife da República. O senhor tem uma coisa que ainda torna a sua retórica mais demagógica. O senhor é jurista e um jurista sabe que prender, julgar e investigar é matéria dos magistrados, não é matéria dos políticos”, salientou.

Luís Marques Mendes sublinha que a Justiça “está doente” e que é uma das suas prioridades se for eleito, notando querer fazer uma reforma da Justiça e combater a corrupção. “É preciso acabar com os diagnósticos e ter iniciativa, ter ação, ter soluções”.

Ventura diz que sentido de Estado é “amar este país”

André Ventura responde a Marques Mendes dizendo que o seu sentido de Estado é “amar este país”. “O sentido de Estado é não estar calado quando outros dizem que somos corruptos, que escravizámos África. O senhor fica calado. Acha que está a honrar a memória de milhões de pessoas que regressaram de Moçambique, Angola, Guiné, Timor, quando fica em silêncio?”, questiona.

O líder do Chega diz estar “farto de andar sempre a defender corruptos, ladrões. O Lula da Silva é outro”.

“Os políticos a mandar prender alguém era no tempo da PIDE”

O candidato Marques Mendes referiu que André Ventura “atua com falta sentido de Estado”, exemplificando com a visita oficial do presidente brasileiro, Lula da Silva, a Portugal.

“Primeiro, André Ventura é um político, não é um polícia, não é um magistrado. Os políticos a mandar prender alguém era no tempo da PIDE, não é agora”, atira e reitera: “O senhor, de facto, não tem sentido de estado em relação a outros países”.

Ventura: “Estou farto que a esquerdalhada faça o que quer no Parlamento”

Sobre o ato de retirar os cravos hoje na Assembleia da República, nas comemorações do 25 de Novembro, André Ventura refere que Marques Mendes “não acrescenta nada ao que temos, muito menos à Direita”.

“Eu tirei os cravos porque não deviam lá estar hoje, deviam estar rosas brancas. Estou farto que a esquerdalhada faça o que quer no Parlamento. Estou farto”, afirmou.

E acrescentou: “O país precisa de regras e de ordem […]. Eu sou o candidato da ordem, eu sou o candidato que quer garantir que as ordens são cumpridas”

André Ventura salientou que é “deputado com muito gosto” e que é líder de um partido e atira contra Marques Mendes: “Não se finja que é independente e está acima dos partidos. O senhor toda a sua vida foi política”.

“André Ventura é candidato”

Luís Marques Mendes reiterou que a sua posição quanto ao 25 de Novembro “é  muito clara”. “Ambas as datas são importantes. Claro que o 25 de Abril é ainda mais importante porque é data fundadora da Democracia, mas o 25 de Novembro evitou que Portugal caísse numa ditadura”, sublinhou.

“Eu comemoro o 25 de Novembro porque nos devolveu a pureza dos ideias de Abril. Acho que André Ventura comemora a data porque não gosta do 25 de Abril. Ainda hoje se viu isso num pequeno detalhe, a questão das rosas e dos cravos”, disse, acrescentando que “é um sinal que convive mal com a tolerância democrática e, sobretudo, quer combater o 25 de Abril”.

Marques Mendes considerou que André Ventura é um “candidato presidencial” e que quer ser líder da oposição e não Presidente da República.

Rcp news

by: Joao conceição