Governo brasileiro despacha remessa de medicamentos e arroz para Cuba

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O Brasil anunciou na quarta-feira o envio de 20.000 toneladas de arroz, outros alimentos e medicamentos para Cuba, para atenuar a crise na ilha, acentuada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos.

O envio de alimentos, que já se encontram a caminho, é realizado através do Programa Mundial de Alimentos (PMA), detalharam porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores numa conferência de imprensa.

O carregamento de alimentos inclui 20.000 toneladas de arroz em casca, outras 150 toneladas de arroz descascado, 150 toneladas de feijão preto e 500 toneladas de leite em pó.

O Brasil enviou ainda para Cuba um carregamento de medicamentos que chegou por via aérea à ilha caribenha, detalhou a secretária para a América Latina e as Caraíbas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“Esta é uma preocupação constante do Brasil, ao ver que a população está realmente a sofrer, por isso estamos a realizar várias doações, quer de medicamentos quer de alimentos”, afirmou Gisela Padovan.

No início do mês, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou a falta de ajuda dada a Cuba e que essa atitude decorre de uma “perseguição ideológica”. 

“Não vamos ajudar Cuba porque Cuba é um país comunista?”, questionou o chefe de Estado brasileiro, acrescentando que o país “não está passando fome porque não sabe produzir”.

“Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha certas coisas que todo mundo deveria ter direito. Não se cuida de Cuba por uma perseguição ideológica”, denunciou Lula da Silva.

As doações brasileiras juntam-se ao envio de ajuda realizado na quarta-feira pela primeira delegação do “Convoy Nuestra América”, que chegou a Cuba com cerca de cinco toneladas de material médico.

O grupo é composto por 120 representantes de 19 países, 50 associações e coletivos, 13 movimentos políticos e sindicatos, e quatro eurodeputados, com fornecimentos provenientes de Roma e Milão, em Itália.

Cuba encontra-se no meio de uma profunda crise económica e social há seis anos, que se agravou desde janeiro devido ao bloqueio petrolífero do Governo dos Estados Unidos.

Contudo, a pressão energética sobre Cuba começou a 03 de janeiro, quando, após a operação militar que culminou com a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, os EUA anunciaram o fim do fornecimento de petróleo desse país sul-americano à ilha. 

RCP News

by Priscila Thomas