Hantavírus pode ser consequência da vacina da Pfizer contra a Covid? Entenda

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Foi divulgado um documento com possíveis efeitos secundários da vacina contra a Covid-19 comercializada pela Pfizer-BioNTech, tendo dado a entender que um deles era a infeção pulmonar por hantavírus. Confirma-se? Esclarecemos.

Perante o surto de hantavírus que brotou a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, houve quem partilhasse um documento com possíveis efeitos secundários após a inoculação com a vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech, tendo dado a entender a infeção pulmonar por hantavírus se enquadrava. Contudo, a informação foi deturpada.

“A lista de efeitos secundários da vacina contra a Covid-19 da Pfizer inclui a infeção pulmonar por hantavírus!”, denunciou um internauta, na rede social Facebook, a 7 de maio.

A publicação em causa, que foi reproduzida pela agência Reuters, incluía uma captura de ecrã dos documentos apresentados pela Pfizer ao regulador norte-americano dos medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), para obter a autorização de comercialização da vacina contra o SARS-CoV-2, em 2021.

Como já é habitual nas redes sociais, a narrativa propagou-se e foi também partilhada no X (Twitter), tendo um utilizador sugerido que a vacina contra a Covid-19 continha um hantavírus.

De facto, há uma referência à infeção pulmonar por hantavírus na quarta página do apêndice “Lista de Eventos Adversos de Interesse Especial”. Ainda assim, e de acordo com um porta-voz da Pfizer, não se trata de uma confirmação de que a vacina provoca infeção pulmonar por hantavírus.

“O facto de se registarem vários casos de efeitos adversos não significa necessariamente que um determinado efeito adverso tenha sido causado pelo medicamento”, lê-se também na página seis do documento

Aliás, são enumerados todos os eventos médicos sofridos por uma pessoa durante o período do estudo, entre dezembro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021, independentemente de estarem ou não relacionados com a vacina, segundo o porta-voz.

Acresce que o documento foi compilado com base em relatórios voluntários submetidos em vários sistemas nacionais de notificação, tais como o Sistema de Notificação de Efeitos Adversos de Vacinas (VAERS) nos Estados Unidos. Significa isto que o apêndice, que inclui a infeção pulmonar por hantavírus, abrange quaisquer potenciais eventos médicos que a Pfizer consideraria de especial interesse, caso ocorressem durante o período do estudo.

Sublinhe-se ainda que não existem hantavírus na lista de ingredientes da vacina contra a Covid-19 da Pfizer, agora denominada Comirnaty, tampouco vírus vivos.

Além disso, o Reino Unido concedeu autorização de comercialização total à vacina da Pfizer no final de 2022, após analisar a sua segurança, eficácia e outras informações, incluindo uma lista de efeitos adversos identificados como tendo uma relação causal com o medicamento, que foram publicados no folheto informativo. O hantavírus não é um deles.

Recorde-se que a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que seguiam no cruzeiro. Entretanto, uma cidadã francesa testou positivo, assim como um norte-americano. Contudo, o doente não tem sintomas, tendo Espanha refutado o diagnóstico.

Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estavam já a bordo quando o barco chegou às Canárias.

O navio viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.

O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa. Os sintomas da infeção são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares. Dependendo da estirpe, pode provocar uma infeção pulmonar ou renal.

Apesar de tudo, a OMS garante que o risco deste surto para a população em geral é baixo.

RCP News

by Priscila Thomas