Manteigas aponta críticas a Rui Costa, arbitragem e rivais e garante: “Ninguém vai esquecer”

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João Diogo Manteigas defende que Rui Costa deve “solicitar, imediatamente e de forma pública, a divulgação das avaliações sobre as equipas de arbitragem e do VAR”, e fala de “evidentes e sucessivas pressões públicas” por parte de FC Porto e Sporting.

João Diogo Manteigas, candidato derrotado nas últimas eleições para a presidência do Benfica, emitiu, ao final da manhã desta quinta-feira, um extenso comunicado, no qual ‘disparou’ em diversas direções, começando, desde logo, pela gestão desportiva e financeira do próprio líder máximo do clube, Rui Costa.

“Não escondemos que os resultados desportivos desta época não correspondem às expetativas dos sócios nem à grandeza do nosso clube. Sobretudo, quando, pela quarta vez nos últimos seis anos, o investimento no plantel foi superior a 100 milhões de euros. A responsabilidade é partilhada pela direção, equipa técnica e atletas. A nossa história constitui um fardo grande, mas no sentido positivo, em que o objetivo tem de ser vencer sempre. Em todos os campos. Esta exigência jamais se extinguirá”, atirou.

O advogado sublinhou, no entanto, que se “torna difícil ignorar o ruído e fatores externos que têm interferido com o normal decorrer da Liga 2025/26”, alegando que “os critérios de arbitragem são inconsistentes e questionáveis”: “Há uma sensação de variação consoante as equipas em campo, gerando dúvidas legítimas quanto à equidade das decisões. Estes episódios não justificam totalmente os pontos perdidos, mas deterioram o clima competitivo, condicionam e não salvaguardam a verdade desportiva”.

“O silêncio prolongado da nossa direção perante evidentes e sucessivas pressões públicas sobre a arbitragem e instituições desportivas que, ainda esta semana, foram protagonizadas pelos presidentes do Futebol Clube do Porto [André Villas-Boas] e do Sporting Clube de Portugal [Frederico Varandas], fragiliza a defesa dos superiores interesses do Sport Lisboa e Benfica”, começou por alertar.

“Não são aceitáveis reações tardias, conforme ocorreu na época passada, com o dano irreparável da final da Taça de Portugal. Os benfiquistas não esquecerão. Assim, deve o presidente do Sport Lisboa e Benfica solicitar, imediatamente e de forma pública, a divulgação das avaliações sobre as equipas de arbitragem e de VAR. Deste modo, o público avaliará, não só o trabalho dos árbitros, mas também a visão e critério de quem os avalia”, prosseguiu.

“O escrutínio é imperativo e tornou-se inevitável. Mas, para que tal aconteça, há que aceder à avaliação dos atos praticados por quem nos causa legitimidade para duvidar. A transparência é a única forma de sobrevivência no futebol português. Só assim se poderá confiar, um dia e de uma vez por todas, na arbitragem nacional. Perante os sucedidos ao longo da presente época desportiva, o Sport Lisboa e Benfica tem o dever de vigilância institucional, podendo solicitar a convocação urgente de reuniões com o presidente da FPF [Pedro Proença], LPFP [Reinaldo Teixeira] e com todas as sociedades desportivas interessadas”, completou.

Quatro pontos para “promover a abertura” da arbitragem ao público

Nesta missiva, João Diogo Manteigas lançou, ainda, quatro “questões e sugestões” que têm como fim “promover a abertura do setor” da arbitragem “ao público em geral, com vista a garantir mais e maior integridade desportiva”: “Com que justificação, meios e fins foi implementada uma estrutura VAR no norte do país através da Associação Distrital de Futebol do Porto? Servirá apenas competições desportivas distritais ou pretende-se a sua ampliação a nível nacional conforme o atual presidente da FPF deu a entender?”.

“Necessidade de publicação dos relatórios dos observadores dos árbitros; Publicação do fundamento para as nomeações das equipas de arbitragem nos jogos da I e II Ligas; Apresentação urgente de uma base para um projeto-lei aplicável exclusivamente aos árbitros e que inclua, sem se limitar, a formação e respetivo plano de carreira das associações distritais até à FPF, as formas de recrutamento, as regras deontológics, os regimes de incompatibilidade e impedimentos, e a definição do regime profissional, com recurso ou à figura de contrato de trabalho ou à de prestação de serviços”, reclamou.

A terminar, João Diogo Manteigas defende que “deve ser implementada, definitivamente, a equiparação legal entre árbitros, treinadores e atletas enquanto agentes diretos no espetáculo desportivo”, para que, “numa altura em que se caminha a passo rápido para a centralização dos direitos audiovisuais”, se acabe com a dúvida sobre o “rigor e seriedade dos árbitros”.

RCP News

by Priscila Thomas