Trump justifica acordo após acusações de favorecimento a Teerão

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu hoje o acordo assinado com o Irão, afirmando que os Estados Unidos (EUA) são respeitados “como nunca”, desvalorizando críticas, incluindo do Partido Republicano, de que Teerão saiu beneficiado.

“Estes tolos, que pensam que eu não fui suficientemente duro com o Irão, enquanto o mercado bolsista acaba de atingir um MÁXIMO HISTÓRICO e os preços do petróleo estão ‘a descer’, são ciumentos, desonestos ou estúpidos”, escreveu Trump na sua rede, Truth Social, recorrendo novamente à escrita em maiúsculas para enfatizar a sua mensagem.

“O petróleo está a fluir, o Irão nunca poderá ter uma arma nuclear (o mundo estará seguro!), os mercados bolsistas estão em expansão, o emprego está em máximos históricos e os preços estão a cair (mais acessíveis!). O nosso país é forte, seguro e respeitado como nunca antes. De nada!” declarou, numa outra publicação, na mesma rede.

O líder dos EUA transmitiu esta mensagem perante críticas da ala dura do Partido Republicano pelo acordo alcançado com o Irão para acabar com o conflito e desbloquear o estreito de Ormuz, uma vez que abre a porta ao Irão para continuar a enriquecer urânio e ter acesso a fundos que foram congelados pelas sanções.

“A história ensina-nos que dar milhares de milhões de dólares a fanáticos teocráticos que querem assassinar-nos não é uma boa ideia”, disse o senador do Texas Ted Cruz, que era um firme apoiante da intervenção dos EUA no Irão e que agora se questiona se o Presidente “está a receber conselhos muito maus sobre este acordo”.

O senador da Louisiana, Bill Cassidy, tem sido mais direto, descrevendo o pacto como “o pior erro de política externa das últimas décadas” e salientando que o ex-presidente republicano Ronald Reagan “vai revirar-se na sepultura”.

Cassidy considerou que “as ambições nucleares do Irão não foram travadas” com este pré-acordo e que Teerão aprendeu que “ameaçar o estreito de Ormuz funciona”.

“Sem dúvida, vão usá-lo como moeda de troca no futuro”, alertou, numa mensagem nas redes sociais.

“Agora, o Irão poderá construir infraestruturas totalmente novas ao abrigo deste acordo”, denunciou o representante republicano, que afirmou que, antes de EUA e Israel lançarem o ataque contra Teerão, em 28 de fevereiro, o estreito estava aberto, o Irão estava “sufocado” pelas sanções e os 13 militares norte-americanos mortos na guerra “ainda estavam vivos”.

Criticou que, para além da perda de 13 soldados, as famílias americanas “pagaram milhares de milhões em postos de gasolina”.

Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul e outro dos grandes aliados de Trump no Senado, evitou confrontar diretamente o chefe da Casa Branca e disse estar “satisfeito” com o acordo, embora tenha evitado grandes celebrações e sublinhado que o Congresso deveria ter a oportunidade de se pronunciar.

“Estou algo preocupado que a visão do Irão sobre o acordo seja diferente do que a equipa de negociação dos EUA afirma”, disse, acrescentando que queria “rever o produto final” e instar os negociadores a apresentá-lo ao Congresso.

O memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão e que foi assinado na quarta-feira à noite por Trump e pelo seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, prevê uma trégua de 60 dias, a contar a partir de hoje, prazo para negociar um acordo final que inclua a questão nuclear iraniana.

O texto publicado por Washington e Teerão prevê a reabertura imediata do estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irão desde o início da guerra, e o levantamento simultâneo do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

Esta cláusula do protocolo permitiu que os mercados petrolíferos afrouxassem, com os preços do crude Brent a caírem para cerca de 78 dólares.

Está igualmente prevista a criação de um fundo de reconstrução dotado de 300 mil milhões de dólares (cerca de 260 mil milhões de euros).

De acordo com o documento de 14 pontos divulgado pelo líder iraniano nas redes sociais, os Estados Unidos e o Irão “declaram a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se, a partir deste momento, a não iniciar qualquer guerra ou operação militar um contra o outro, a abster-se da ameaça ou uso da força mútua e a garantir a integridade territorial e soberania do Líbano”.

Do lado iraniano, o Presidente Masoud Pezeshkian saudou um documento “histórico” de um “Irão poderoso”.

Para o principal negociador do Irão e presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, o acordo “reconhece o fracasso dos Estados Unidos”.

Teerão pode, de facto, felicitar-se por ter obtido a promessa de descongelar os ativos iranianos congelados no estrangeiro e da suspensão das sanções norte-americanas à venda de petróleo iraniano, assim que o protocolo for implementado.

RCP News

by Priscila Thomas