Os Estados Unidos e o Irão estarão prestes a assinar um memorando que prevê, entre outros pontos-chave, a reabertura do Estreito de Ormuz – que, com confinamentos, tem tido impacto no preço dos combustíveis -, assim como um cessar-fogo de 60 dias, incluindo no Líbano.
Entre farpas, ameaças e conversações ao longo dos últimos meses, Irão e Estados Unidos parecem agora ter chegado a mais um acordo no caminho para a paz – ou, pelo menos, a um memorando.
A informação foi inicialmente avançada pela Bloomberg, que citou fontes próximas do G7 a darem conta de que o acordo seria assinado na próxima semana.
Note-se que o grupo em questão, do qual fazem parte as sete maiores economias do mundo (com a União Europeia) reúne-se de 15 a 17 de junho em França, mas a CNN Internacional refere que a assinatura do acordo entre Teerão e Washington deverá ser feita em Genebra, a cerca de 40 quilómetros do local onde o grupo vai encontrar-se.
Quais os pontos-chave deste memorando?
Fontes próximas das negociações dão conta de que em causa está, mais do que um acordo, um memorando de entendimento, ou seja, este último um documento preliminar do qual fazem parte intenções e ideias, mas que, neste caso, deverá seguir para iniciar a segunda fase do acordo do paz.
A CNN Internacional refere ainda alguns dos pontos-chave que, segundo uma fonte diplomática, fazem parte deste documento.
- 60 dias de “cessar-fogo” em todas as frentes, incluindo no Líbano, começam a partir do momento da assinatura;
- Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente, sem que o Irão cobre quaisquer taxas de passagem. Isso garantirá a livre circulação de energia e mercadorias. O tráfego pela hidrovia retornará aos níveis pré-guerra após 30 dias da assinatura do acordo;
- O bloqueio dos EUA aos portos iranianos será suspenso e haverá algum alívio das sanções “com base no progresso do acordo e na continuidade do engajamento de boa-fé”, embora não haja uma data definida para o alívio das sanções.
E quanto ao nuclear?
O documento, que por forma a reconhecer o papel mediador do Paquistão deverá chamar-se “Declaração de Islamabade”, refere ainda, segundo a mesma fonte citada acima, que o documento “satisfazia todos os critérios dos EUA na questão nuclear”, incluindo a garantia por parte do Irão de que não obteria armas nucleares, assim como a questão do stock iraniano de urânio altamente enriquecido.
No entanto, mais ou menos na mesma altura em que estes pontos foram conhecidos, também a imprensa oficial iraniana noticiava que o programa nuclear iraniano seria discutido com Washington num prazo de 60 dias, no âmbito de um projeto de acordo-quadro, com Teerão a recusar ceder o controlo do estreito de Ormuz.

Note-se ainda que a informação de que o memorando seria assinado surge depois de alguns dias de subida de tensão, nomeadamente, em termos de ataques. Ainda na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu um ataque conta Teerão “com toda a força”, mas acabou por “cancelá-lo”.
E o que diz Israel?
Ainda na quarta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, salientou que Telavive “não faz parte” das negociações com o Irão.
O posicionamento surgiu depois de Trump dizer que havia “pontos finais” neste acordo que estava a ser construído com que vários países concordavam – e incluiu Israel, ao lados de outros países (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Egito).
Note-se que decorrem há semanas as negociações indiretas entre Teerão e Washington para tentar pôr fim à guerra, iniciada a 28 de fevereiro com os ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão, a que este país respondeu disparando mísseis e drones contra países vizinhos e ameaçando a navegação no Estreito de Ormuz, por onde é escoada grande parte da produção de petróleo e gás da região.
Apesar de Trump ter anunciado por várias vezes a iminência de um acordo, e com um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, nos últimos dias os dois lados envolveram-se em trocas de fogo cada vez mais intensas. Ainda ontem, falava-se que a assinatura de um acordo poderia acontecer também já no fim de semana, com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
RCP News
by Priscila Thomas

