Ja se contam cerca de 60 portugueses e lusodescendentes mortos; Equipa madeirense fica em terra

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Cinco dias após ter sido atingida por dois fortes sismos, a Venezuela continua a receber ajuda humanitária e equipas de busca e salvamento de vários países.

Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter, ocorreram na passada quarta-feira, 24 de junho, e provocaram pelo menos 1.719 mortos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há ainda cerca de 50 mil pessoas desaparecidas.

Entre as vítimas mortais, contabilizam-se 60 portugueses e lusodescendentes, e outros 87 estão desaparecidos ou incontactáveis. 

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.

“A quantidade de nacionais portugueses que perderam tudo é muito grande”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, deu conta de que “tem subido o número de pessoas desaparecidas confirmadas” no rescaldo dos sismos na Venezuela, sendo expectável que os dados referentes a portugueses e luso-venezuelanos voltem a ser atualizados até ao final do dia.

“Tem subido o número de pessoas desaparecidas confirmadas. No início, havia muita gente incontactável que, entretanto, foi contactada. Agora, o número de pessoas que confirmamos que não há mesmo qualquer informação tem vindo a subir, embora gradualmente”, disse, em declarações à SIC.

O governante apontou ainda que, “nos desalojados, especialmente em La Guaira, há muitos, muitos, muitos portugueses”.

“As nossas missões de salvamento, que estiveram no terreno, e o embaixador em Caracas, já se aperceberam de que imensas famílias perderam absolutamente tudo. Obviamente que havia, nesta fase, algumas famílias portuguesas que viviam relativamente mal, mas também havia algumas que eram de classe média, média alta… A quantidade de nacionais portugueses que perderam tudo é, realmente, muito grande”, complementou.

Rangel revelou que já foram disponibilizados 400 mil euros para projetos de ajuda humanitária, sendo que o Governo vai abrir “para uma ou duas delas, uma conta, para que as pessoas possam contribuir”. “Neste momento, contribuir com bens é extremamente difícil porque, logisticamente, não há como tratar disso, nesta altura. Por isso, pedia que não fizessem nenhum [donativo] enquanto não forem divulgadas contas oficiais, para não haver enganos nem burlas”, apelou.

“A quantidade de nacionais portugueses que perderam tudo é muito grande”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, assinalou que “há muitos, muitos, muitos portugueses” entre os desalojados, especialmente em La Guaira, e deu conta de que serão criadas contas oficiais, “para que as pessoas possam contribuir”.

Venezuela: Ordem está a selecionar médicos para bolsa de apoio

A Ordem dos Médicos (OM) informou hoje que está a identificar potenciais voluntários, preferencialmente médicos venezuelanos ou lusodescendentes, para constituir uma bolsa para “apoio na recuperação e reconstrução da resposta médica” após os sismos na Venezuela.

Em comunicado, a OM afirma que perante a dimensão da catástrofe, que já provocou quase 1.500 mortos e mais de 3.000 feridos, a necessidade de reforço das equipas no terreno, tendo o Gabinete de Apoio Humanitário (GAHOM) ativado “os mecanismos de identificação internos” para criar uma reserva de médicos que poderão integrar uma resposta do Estado português ou de organizações não governamentais, “devidamente certificadas e de credibilidade”.

A ordem acrescenta que já enviou esta informação ao Ministério da Saúde, ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, assegurando total articulação institucional.

Venezuela: Voluntários pedem mais doações de medicamentos e maquinaria

No bairro de San Bernardino, em Caracas, os voluntários de um dos mais de 300 locais a receber roupa e comida pediram mais doações estrangeiras de medicamentos e maquinaria para acelerar as operações de resgate.

Na avenida Los Póceres, socorristas vindos do Qatar e centenas de vizinhos continuam a martelar, a encher baldes com partes de um edifício que caiu em 24 de junho com um número incerto de pessoas lá dentro.

“Uma das amigas da minha filha vive nesse prédio e estava lá quando ruiu, ainda não sabemos dela”, contou à Lusa Lizmari, de 48 anos.

A esperança é a última a morrer na opinião desta venezuelana que venceu “o medo” provocado pelos dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 e veio para a rua ajudar como podia.

EUA aumentam para mais de 260 milhões montante para ajuda à Venezuela

Os Estados Unidos aumentaram hoje para mais de 300 milhões de dólares (263 milhões de euros) a ajuda de emergência destinada a fazer face aos efeitos do duplo sismo registado na semana passada na Venezuela.

“Tendo em conta as necessidades urgentes identificadas pelas equipas de primeira intervenção norte-americanas no terreno, os Estados Unidos aumentaram o seu compromisso financeiro com esta resposta para salvar vidas para mais de 300 milhões de dólares”, anunciou o Departamento de Estado norte-americano num comunicado.

O departamento, liderado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, decidiu duplicar a ajuda destinada à Venezuela, após ter anunciado na quinta-feira uma ajuda no valor de 150 milhões de dólares (cerca de 130 milhões de euros ao câmbio atual) para dar resposta aos estragos causados pelo duplo sismo.

BY: Joao Conceicao