Especialistas alertam para a capacidade da Rússia de sustentar a guerra e ameaçar a Europa

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O especialista em defesa alemão Bastian Giegerich avisou hoje em Londres que a Rússia tem capacidade e recursos para continuar a guerra contra a Ucrânia e que representa uma ameaça crescente para a Europa. 

“Não há sinais de que a capacidade da Rússia para continuar a guerra contra a Ucrânia, agora no seu quinto ano, esteja diminuída, e a sua ameaça para a Europa em geral está a aumentar”, afirmou o diretor do centro de estudos britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) durante a apresentação do Balanço Militar 2026. 

Giegerich afirmou que Moscovo tem expandido os ataques com mísseis de cruzeiro e balísticos e ‘drones’ de uso único na Ucrânia e que a diversidade do arsenal de longo alcance representa um risco para o resto do continente. 

“Mesmo os sistemas mais básicos de ‘drones’, como a versão modernizada russa do iraniano Shahed-136, podem atingir alvos em toda a Europa, com um alcance de até dois mil quilómetros”, sublinhou.

Sob pressão dos Estados Unidos, os aliados europeus estão a acelerar a modernização das suas indústrias de defesa para reduzirem a dependência de capacidades militares norte-americanas.

Os países europeus têm reforçado nos últimos anos sistemas de defesa aérea, artilharia e número de blindados. 

Contudo, vincou o analista, persistem fortes dependências face aos EUA, sobretudo nas áreas de inteligência geoespacial, computação e radares que, “independentemente dos níveis de investimento, continuarão até à década de 2030”.

Durante o evento de lançamento da 67.ª edição do relatório anual, que possui informação sobre as capacidades militares de 170 países, os analistas do IISS reconheceram existir alguma pressão sobre a Rússia em termos de recursos humanos, que terá sofrido uma média de mais de mil baixas por dia durante vários meses. 

Henry Boyd, especialista em capacidades militares, notou que “a Rússia tem sofrido taxas de perda mais elevadas desde o final de 2025, superiores à sua capacidade de reposição”, o que poderá afetar as suas tentativas de avanço no terreno. 

Ainda assim, Moscovo pode optar por reduzir as operações ofensivas ou ainda recorrer a uma mobilização nacional, algo que Nigel Gould-Davies, especialista em Rússia e Eurásia, o Kremlin tem evitado. 

Para este investigador, apesar de existir insatisfação dos oficiais com “recrutas de baixa qualidade” devido à mobilização de criminosos ou toxicodependentes, Moscovo não repetiu uma mobilização forçada desde 2022 por receio de resistência popular.

“Será um momento decisivo se a Rússia tiver de dar esse passo”, acredita.

Já Nick Childs, especialista naval do IISS, chamou a atenção para os efeitos de uma mobilização no fabrico de armas e munições, o que representa um dilema para a Rússia. 

“As empresas de defesa russas enfrentam dificuldades em recrutar, porque muitos trabalhadores são aliciados para as forças armadas. Isso compromete a produção industrial, que tem outros problemas”, observou.

RCP News

by Priscila Thomas