O ex presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado pelos Estados Unidos e acusado de vários crimes. Da captura à incerteza do futuro do país, eis o que se sabe até ao momento.

O ex presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores, foram capturados pelos Estados Unidos e retirados do país à força durante a madrugada de sábado. Agora, o líder venezuelano foi acusado de vários crimes, incluindo narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes relacionados com armas automáticas. Mas como se chegou até aqui?
As tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela não são de agora, remetendo aos tempos em que o país da América Latina era liderado por Hugo Chávez.
Em 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou Maduro – que sucedeu a Chávez em 2013, após a sua morte – e altos dirigentes da Venezuela de narcoterrorismo, tráfico de droga e conspiração, tornando o presidente da Venezuela não só num adversário político, mas também num alvo criminal.
Já em 2025, com o regresso de Donald Trump à Casa Branca foi anunciada uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de euros) pela administração norte-americana em troca de informações que levassem à captura do chefe de Estado.
A captura de Maduro viria a acontecer na madrugada de sábado, 3 de janeiro, após uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos lançar ataques aéreos em várias zonas da Venezuela, incluindo a capital Caracas. Na altura, houve relatos de explosões e movimentos de aeronaves militares sobre a cidade.
Posteriormente, Trump afirmou que o seu homólogo venezuelano foi capturado e retirado à força do país, após os Estados Unidos terem realizado um “ataque em grande escala” no país.
Segundo adiantaram fontes à CNN Internacional, o casal foi “capturado a meio da noite enquanto “dormia” e “arrastado do quarto”.
A situação pode continuar ser acompanhada aqui.
E agora, quem liderará a Venezuela? Futuro é incerto
Numa conferência de imprensa, horas depois, o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos vão “dirigir a Venezuela” até estar concluída uma transição de poder e admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
“Vamos dirigir o país até que seja possível aos Estados Unidos proceder a uma transição segura, apropriada e sensata”, disse Donald Trump, frisando que Washington estava pronta a lançar “um segundo ataque mais importante se necessário”.
A ideia inicial era que a líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, liderasse o país, mas Trump considerou que não “goza do apoio e respeito” necessários.
Também a própria defendeu que o antigo candidato opositor Edmundo González Urrutia deveria “assumir de imediato” o mandato presidencial.
“Esta é a hora dos cidadãos. Os que arriscaram tudo pela democracia no 28 de julho [de 2024]. Os que elegemos Edmundo González Urrutia como legítimo presidente da Venezuela, que deve assumir de imediato o seu mandato constitucional e ser reconhecido como comandante supremo das Forças Armadas nacionais”, afirmou María Corina, num comunicado divulgado nas redes sociais.
Pelo lado da Venezuela, o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ, na sigla em castelhano) decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina.
Rodríguez torna-se assim a primeira mulher na história do país sul-americano a chefiar momentaneamente o executivo, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”, declarou a presidente do TSJ, Tania D’Amelio.

Após “rapto”, justiça nomeia vice Delcy Rodríguez para a presidência
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em castelhano) decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina, após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.Lusa | 06:35 – 04/01/2026
Da Venezuela até Nova Iorque: o trajeto de Maduro após a captura
Após terem sido capturados na sua residência oficial, Maduro e a mulher foram levados para Guantánamo a bordo do navio de guerra norte-americano USS Iwo Jima.
O casal acabou por aterrar em Nova Iorque já ao final da tarde de sábado. À chegada do avião militar Boeing 757 ao aeroporto internacional Stewart, dezenas de agentes de distintas agências federais norte-americanas, como do FBI (gabinete federal de investigação) ou da DEA (administração de controlo de drogas), entraram no avião.
Maduro foi levado para o centro de detenção metropolitano (MDC), uma prisão federal em Brooklyn, onde passou a primeira noite sob custódia.

Vídeo. Maduro já está em prisão de Brooklyn (e deseja “bom ano novo”)
O ex Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está a passar a primeira noite sob custódia numa prisão federal em Brooklyn, Nova Iorque, após ter sido capturado há menos de 24 horas pelos Estados Unidos em Caracas.Lusa | 06:26 – 04/01/2026
Trump viu operação como se fosse “programa de televisão”
Em entrevista à Fox News, Trump contou que assistiu ao vivo à operação para capturar e retirar Maduro da Venezuela. “Eu assisti, literalmente, como se estivesse a assistir a um programa de televisão”.
Donald Trump adiantou ainda que Maduro foi capturado quando se encontrava “num local muito bem guardado, como uma fortaleza”.

O presidente norte-americano publicou ainda imagens da “sala de crise” (“situation room”) improvisada na sua residência em Mar-a-Lago, na Florida, onde seguiu a operação.
Trump divulgou, ainda, uma fotografia de Nicolás Maduro algemado. A imagem foi publicada na rede social Truth Social e mostra Nicolás Maduro de pé, algemado, com os olhos tapados e a usar protetores auditivos, envergando um fato de treino cinzento-claro.

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by: João conceição
