Venezuela orienta companhias aéreas a pagar combustível diretamente aos EUA

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O governo venezuelano notificou as companhias aéreas estrangeiras que operam no país que os pagamentos pela compra de combustível venezuelano devem ser feitos diretamente para contas do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, que cita uma notificação enviada pelo Ministério dos Hidrocarbonetos a duas companhias aéreas, o anúncio foi feito no final da semana passada e foi acompanhado de um anexo com os dados bancários do Departamento de Estado dos EUA.

“Tenho a honra de me dirigir a vós para vos transmitir as minhas mais calorosas saudações e, ao mesmo tempo, vos informar sobre os dados bancários para pagamentos via transferência em moeda estrangeira, destinados ao recebimento de pagamentos correspondentes ao consumo de combustível JET A1, MGO e IFO 380”, lê-se no texto enviado a pelo menos uma companhia aérea latino-americana e a uma espanhola.

O documento, datado de 28 de maio e assinado pelo responsável de vendas Yolimar Cedeño, inclui um aviso de o governo norte-americano pode “receber fundos em nome da Venezuela através da Fedwire [Federal Reserve Wire Network]”, como é conhecida a rede de transferência eletrónica de fundos controlada pela Reserva Federal dos EUA.

De acordo com o texto, o Departamento do Tesouro detalha que os fundos são depositados numa conta “custodial” (na qual os ativos ficam separados do património da instituição) e exige que a origem desses fundos seja revelada.

Após a captura do antigo Presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos durante uma operação militar realizada em janeiro, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, anunciou que Washington “controlaria indefinidamente” as vendas de crude venezuelano e depositaria os recursos dessas transações em contas do governo norte-americano para “beneficiar o povo da Venezuela”.

“A ordem declara que os fundos são propriedade soberana da Venezuela, mantidos sob custódia dos EUA para fins governamentais e diplomáticos, e não estão sujeitos a reivindicações privadas”, afirmou a Casa Branca na altura.

RCP News

by Priscila Thomas