As notas do jogo entre Real Madrid e Benfica, que ditou a saída dos encarnados da Liga dos Campeões. Águias ainda fizeram frente aos merengues, mas não conseguiram segurar a vantagem.
A expressão latina ‘veni, vidi, vici’, popularizada pelo imperador romano Júlio César, aplica-se que nem uma luva ao que aconteceu na noite de quarta-feira no jogo entre o Real Madrid e o Benfica, no Estádio Santiago Bernabéu, no jogo da segunda mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Se a adaptarmos à língua portuguesa, a frase traduz-se como “cheguei, vi, venci”. E foi mesmo isso que esteve perto de acontecer ao Benfica. Em Madrid, e após toda a polémica da primeira mão que envolveu Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior – que marcou o golo da semana passada no Estádio da Luz -, a turma lisboeta, chegou, viu e até ameaçou o Real Madrid, mas depois surgiu um tal de Vinícius a reescrever o guião do encontro. Não houve vitória para as águias, que perderam por 2-1 no Bernabéu e se despediram da Liga dos Campeões.
Na capital espanhola, onde o Benfica, nem nenhuma equipa portuguesa, tinha vencido, era preciso reescrever a história e alcançar um milagre para alcançar o Sporting nos oitavos de final da Liga dos Campeões. E o início da partida até parecia encaminha-se para isso. É certo que há frustração pela eliminação, mas as águias podem queixar-se delas próprias por não terem colhido outros frutos desta partida.

Desde início que se viu um Benfica melhor do que o da primeira mão e a condicionar o Real Madrid na zona intermediária. Os espanhóis estiveram um pouco aos papéis nos primeiros minutos e prova disso foi que as primeiras defesas a sério pertenceram a Courtois. A turma encarnada, sem o comandante no banco – Mourinho cumpria castigo – acabou por abrir a contagem numa rápida jogada de contra-ataque.
Aos 14 minutos, Rafa Silva aproveitou a atrapalhação madridista na área e abriu as contas em Espanha. O voo positivo dos encarnados durou… dois minutos. Um pouco contra a corrente do jogo, e aproveitando um erro no meio-campo encarnado, os merengues trocaram a bola rápido e um passe atrasado de Guler terminou no golo de Tchouaméni (16′).
Apesar de estar a perder, o Benfica não se vergou ao poderio do adversário. O Real Madrid estava longe de se sentir cómodo mesmo depois de obter o empate, mas, aos 34 minutos, ainda colocou a bola na baliza de Trubin. O tento de Arda Guler acabaria anulado. Pouco depois, Courtois fez tremenda defesa a disparo forte e rasteiro de Richard Ríos.
A reta final da primeira parte mostrou um Real Madrid mais solto e a encontrar mais espaços dentro da área do Benfica, algo que se prolongou para o início do segundo tempo. Aos 56′, Trent Alexander-Arnold errou o alvo por centímetros, minutos depois de uma trivela de Rafa Silva terminar na trave dos madrilenos.
O Benfica procurou aproveitar alguns erros que os espanhóis iam cometendo nas saídas de bola, mas foi em vão porque o acerto ofensivo não estava lá. O Real Madrid colocou um ponto final nas ambições dos lisboetas num rápido contra-ataque. Após um erro de Tomás Araújo, Vinícius Júnior, a passe de Valverde, galgou metros para rematar tranquilo para o fundo das redes encarnadas e repetir a dança da semana passada na Luz. E nem a nota artística de Rafa no fim evitou males maiores. Estava consomada a eliminação do Benfica.
Mas vamos às notas desta partida:
Figura
Vinícius Júnior voltou a ser o maior dos pesadelos para os adeptos do Benfica. Depois de muita polémica, o brasileiro voltou a deixar a sua marca e marcou o golo que garantiu o 2-1. Foi sempre dos maiores perigos no ataque dos merengues.
Surpresa
Rafa Silva começa a mostrar que o seu regresso foi uma aposta certeira. Marcou um golo que, por instantes, deixou o Benfica a vencer em Madrid, atirou uma bola à trave e voltou a estar perto de marcar à beira do fim.
Desilusão
Vangelis Pavlidis esteve muitos furos abaixo do que tem apresentado esta época. Melhor marcador das águias esta temporada, o avançado grego foi engolido pela defesa do Real Madrid e não conseguiu ser uma referência no ataque da sua equipa.
Treinadores
Álvaro Arbeloa
Após algum período de adormecimento, a teia de cinismo, e de qualidade, dos merengues veio ao de cima e fez a diferença. Na hora de aproveitar os erros do adversário, o Real Madrid estava lá e não os deitou fora. O resultado final é justo.
João Tralhão
Abordagem muito positiva do Benfica a esta partida e que deixou o Real Madrid em sentido nos minutos iniciais. No entanto, o desperdício nas fases de maior ascendente acabou por revelar-se determinante. Além disso, os erros a este nível pagam-se caro e dois erros na hora de defender acabaram por sentenciar a eliminação.
Arbitragem
Trabalho positivo por parte do esloveno Slavko Vincic. Manteve o critério para as duas equipas e decidiu bem nos lances mais duvidosos.
RCP News
by Priscila Thomas

