Plano de paz? Zelensky e Trump poderão reunir-se esta semana nos EUA

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Volodymyr Zelensky e Donald Trump poderão reunir-se esta semana em Washington, nos Estados Unidos, para discutir alguns pontos sensíveis do plano de paz para a Ucrânia, de acordo com fontes familiarizados com o assunto. Os EUA fizeram uma proposta de um plano para terminar com a guerra e, por sua vez, a Europa fez uma contraproposta.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, poderá viajar até Washington, nos Estados Unidos, ainda esta semana, para se reunir com o seu homólogo norte-americano e discutir alguns dos pontos mais sensíveis do plano de paz para a Ucrânia. 

A informação é avançada pela agência de notícias Reuters, que cita fontes familiarizadas com o assunto. No entanto, até ao momento, não há confirmação de nenhuma das partes. 

Donald Trump, recorde-se, disse que queria ver o acordo assinado até quinta-feira, dia 27 de novembro (e Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos).

No domingo, representantes da Ucrânia, Estados Unidos e da Europa reuniram-se para discutir o plano de paz proposto pelo norte-americano, que, entretanto, foi atualizado para que o futuro acordo respeite “plenamente a soberania” de Kyiv.

Num comunicado conjunto, a Casa Branca e a Ucrânia deram a conhecer que, “como resultado das conversações [em Genebra, Suíça, durante o fim de semana], as duas partes desenvolveram um quadro de paz atualizado e aperfeiçoado” – apesar de ainda não terem avançado quais as alterações feitas ao plano.

Note-se que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no domingo, já havia dado sinais positivos sobre as conversações com Washington, afirmando que os Estados Unidos estavam “a ouvir” as reivindicações de Kyiv.

“É importante que haja diálogo com os representantes norte-americanos e há sinais de que a equipa do Presidente (Donald) Trump nos ouve”, afirmou o chefe de Estado no seu tradicional discurso à nação na rede social X.

No mesmo dia, também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que há algumas questões pendentes, relativamente ao plano de 28 pontos de Trump, mas que “nenhuma é insuperável”, frisando que acredita que o acordo é possível.

“Quadro de paz atualizado”? O ponto de situação do acordo para a Ucrânia

Os Estados Unidos e a Ucrânia anunciaram uma atualização no plano de paz para resolver o conflito com a Rússia. Este chega três dias antes do ultimato declarado por Donald Trump (que termina esta quinta-feira) e um dia depois de ser conhecida uma contraproposta da União Europeia.

O que diz a proposta dos Estados Unidos?

A primeira versão do plano, conhecida a semana passada, veio acompanhada por um ultimato por parte do presidente norte-americano, que disse que queria ver o acordo assinado até quinta-feira, dia 27 de novembro (e Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos).

Este plano – que não foi elaborado com a participação de Kyiv – correspondia às principais exigências de Moscovo: previa que a Ucrânia retirasse as suas tropas das áreas que ainda controla do Donbass (região no leste do país, que inclui as províncias de Lugansk e de Donetsk), uma redução significativa do seu exército e a renúncia à adesão à NATO, apesar de se manter a possibilidade de entrar na União Europeia (UE).

Entre as medidas, lê-se:

  • Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não se expanda ainda mais;O tamanho das Forças Armadas da Ucrânia será limitado a 600.000 militares;
  • A Ucrânia concorda em consagrar na sua Constituição a recusa em aderir à NATO, e a NATO concorda em incluir nos seus estatutos uma disposição que impeça a admissão da Ucrânia no futuro;
  • A NATO concorda em não posicionar tropas na Ucrânia;
  • A Rússia consagrará na lei a sua política de não agressão em relação à Europa e à Ucrânia;
  • Territórios:
    – A Crimeia, Lugansk e Donetsk serão reconhecidas como territórios russos de facto, incluindo pelos Estados Unidos;
    – Kherson e Zaporíjia serão congeladas ao longo da linha de contacto, o que implicará o reconhecimento de facto nessa linha.
    – A Rússia renunciará a outros territórios acordados que controla fora das cinco regiões.
    – As forças ucranianas retirarão da parte do Oblast de Donetsk [Rússia] que controlam atualmente, e esta zona de retirada será considerada uma zona tampão neutra e desmilitarizada, reconhecida internacionalmente como território pertencente à Federação Russa. As forças russas não entrarão nesta zona desmilitarizada.
  • Todas as partes envolvidas neste conflito receberão amnistia total pelas suas ações durante a guerra e concordam em não apresentar quaisquer reclamações ou considerar quaisquer queixas no futuro.

Rcp news

by João conceição