Novas informações indicam que a queda do Boeing 737-800 da China Eastern Airlines, em 2022, pode ter sido intencional, após o corte manual do fornecimento de combustível aos motores durante o voo. Morreram 132 pessoas.
A queda de uma avião, que matou 132 pessoas, numa montanha no sul da China, terá sido intencional. A conclusão surge após terem sido divulgados novos dados que sugerem que alguém na cabine de comando terá desligado, de forma intencional, o fornecimento de combustível aos motores.
A queda de um Boeing 737-800 durante o voo MU5735 da China Eastern Airlines ocorreu há mais de quatro anos, em março de 2022. A aeronave despenhou-se na remota região de Guangxi, matando todas as 132 pessoas a bordo.
Apesar de se tratar do desastre aéreo mais mortífero das últimas décadas no país, a Administração de Aviação Civil da China (CAAC) nunca divulgou as causas do acidente.
Agora, dados divulgados pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB), em resposta a um pedido de acesso à informação, mostram que as chaves de combustível de ambos os motores foram desligadas simultaneamente antes da queda do avião, explicou a CNN.
Os dados foram extraídos de uma das duas “caixas negras” do avião, que foi recuperada dos destroços e enviada para o laboratório do NTSB em Washington D.C.
“Verificou-se que, durante o voo de cruzeiro a 29.000 pés, as chaves de combustível de ambos os motores foram movidas da posição de funcionamento para a posição de corte. A rotação dos motores diminuiu após a movimentação das chaves de combustível”, referiu o relatório.
Segundo a CNN, as autoridades dos Estados Unidos envolveram-se na investigação devido ao facto de a Boeing ser um fabricante de avião norte-americano.

David Soucie, analista de segurança da aviação da CNN, considerou que “estes dados mostram claramente que as chaves de combustível foram colocadas manualmente na posição desligada pouco antes da queda”.
“Não há indicação de que os interruptores tenham sido religados. Isto indica que não houve qualquer tentativa de reiniciar os motores”, acrescentou. “Se os interruptores tivessem sido desligados por engano, os pilotos teriam tentado ligá-los novamente.”
Em maio de 2022, o Wall Street Journal avançou, citando fontes familiarizadas com a investigação, que informações da “caixa negra” mostravam que o acidente tinha sido provocado por um erro humano.
Já a China não publica atualizações sobre a sua investigação desde 2024. Na altura, marcando o segundo aniversário do acidente, a CAAC divulgou um comunicado e reiterou que não foram encontrados problemas com a aeronave, a tripulação ou as condições meteorológicas.
O acidente, recorde-se, ocorreu no sul da província de Guangxi, cerca de uma hora depois de o voo partir de Kunming, capital da província vizinha de Yunnan. A bordo do voo MU5735 estavam 132 pessoas, 123 passageiros e nove tripulantes.
RCP News
by Priscila Thomas

