Dezasseis pessoas – 15 agentes da PSP e um civil – foram detidos no âmbito de uma investigação por crimes de “tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas”, ocorridos nas Esquadras do Rato e do Bairro Alto.
O Ministério Público (MP) revelou, esta terça-feira, que emitiu 16 mandados de detenção no âmbito de uma investigação por crimes de “tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas”, ocorridos nas Esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa.
Do total de mandados de detenção, 15 foram emitidos para elementos da PSP e um para um civil.
Segundo uma nota, publicada no site da Procuradoria da República da Comarca de Lisboa, estão também “em curso 14 buscas domiciliárias e 16 não domiciliárias, estas últimas em esquadras da Polícia de Segurança Pública”.
“No inquérito investiga-se a eventual prática de diversos crimes, designadamente, tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas”, lê-se na nota.

As diligências são presididas por 14 magistrados do Ministério Público e contam com a cooperação operacional da PSP, encontrando-se o inquérito “sujeito a segredo de justiça”.
Já num comunicado enviado às redações, a PSP garantiu que “continuará a colaborar com as autoridades judiciárias competentes para o apuramento integral dos factos e para a realização da justiça”.
De acordo com a SIC Notícias, um dos detidos trabalha no aeroporto de Lisboa.
Esta manhã, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, já tinha avançado que as autoridades tinham em curso novas diligências de investigação no caso de alegada tortura de detidos na esquadra do Rato.
“Hoje estão a decorrer novas diligências e poderá haver novas detenções no final do dia de acordo com a prova que vier a ser carreada”, revelou Luís Neves, à margem das comemorações do 18.º aniversário da Unidade Especial de Polícia (UEP) da PSP, em Belas, Sintra.
O governante precisou que os suspeitos visados são todos polícias que exercem atualmente funções e “que de alguma forma poderão ter interagido com o comportamento desviante” ocorrido em 2024 e 2025 na esquadra do Rato.
Sem deixar de lembrar que há que “ter em conta a presunção de inocência”, o ministro com a tutela da PSP reiterou que “os comportamentos desviantes não são a prática habitual” na força policial e sublinhou que foi esta que denunciou o caso, estando a prestar “apoio e suporte total ao Ministério Público na investigação”.
PSP garante ter “tolerância zero”
Já o diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, reiterou, também esta terça-feira, que a instituição tem “tolerância zero” perante alegações como a de tortura de detidos na esquadra do Rato, defendendo que os cidadãos “podem continuar a confiar” na força policial.
“A Polícia de Segurança Pública [PSP] é uma instituição com cerca de 20 mil homens e mulheres que todos os dias dão o seu melhor para que Portugal seja um dos países mais seguros do mundo. Iremos continuar a fazer isso. Alegações de má conduta, temos tolerância zero”, disse Luís Carrilho, ladeado pelo ministro da Administração Interna.
“Gostaria que não tivesse acontecido. Aconteceu. [As alegações] têm de ser investigadas e isto faz parte da vida das instituições”, acrescentou.
Esta é a terceira operação policial relacionada com alegações de tortura e violação
Esta é a terceira operação policial desde julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato, na maioria toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.
Na primeira, foram detidos dois agentes da PSP, de 22 e 26 anos, e que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros, determinou em 27 de abril de 2026 o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.
Outros sete polícias foram detidos em março de 2026 e estão aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação, que poderá ou não culminar numa acusação do Ministério Público pelos mesmos crimes.
O caso deu origem a nove processos disciplinares e um processo de inquérito, este último sobre os polícias que assistiram aos vídeos das agressões partilhados num grupo de WhatsApp, adiantou, na altura, o inspetor-geral da Administração Interna, Pedro Figueiredo.
RCP News
by Priscila Thomas

