Irão pondera abandonar o Mundial após ataques dos EUA

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“Uma vez que este governo corrupto assassinou o nosso líder, não temos condições para participar no Mundial”, anuncia o ministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, referindo-se ao executivo de Donald Trump.

Oministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, concedeu, esta quarta-feira, uma extensa entrevista televisiva, na qual admitiu que o país poderá mesmo vir a recusar participar no Campeonato do Mundo de 2026, devido aos ataques de que tem vindo a ser alvo por parte dos Estados Unidos da América, um dos organizadores da prova.

“Uma vez que este governo corrupto assassinou o nosso líder [o aiatola Ali Khamenei], não temos condições para participar no Mundial”, afirmou, em declarações reproduzidas pela agência noticiosa alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA), referindo-se ao executivo norte-americano, liderado por Donald Trump.

“Na sequência das medidas maliciosas tomadas contra o Irão, duas guerras recaíram sobre nós, no espaço de oito ou nove meses, e vários milhares de pessoas nossas foram assassinadas. Nesse sentido, não temos, definitivamente, possibilidade de participar, desta forma”, acrescentou.

Uma posição partilhada pelo presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, que a sustentou, ainda, com os diversos episódios polémicos que têm vindo a derivar da participação da seleção nacional feminina na Taça Asiática, que decorre até ao próximo dia 21 de março, na Austrália.

“Que pessoa sensível enviaria a sua seleção nacional para os Estados Unidos da América, se o Mundial se revelasse tão político como aquilo que está a acontecer, na Austrália?”, atirou, depois de seis jogadoras terem recebido asilo humanitário para permanecerem no país, alegando motivos relacionados com a própria segurança.

A seleção iraniana de futebol feminino, recorde-se, recusou entoar o hino nacional, no primeiro encontro da Taça Asiática, em protesto com o regime do próprio país. Uma decisão que levou a própria televisão estatal do Irão a qualificá-las de “traidoras”, num período marcado pelo escalar da guerra.

FIFA e EUA querem Irã nos Mundial

Este abrir de caminho a um boicote ao Campeonato do Mundo por parte do Irão surge escassas horas depois de o presidente da FIFA, Gianni Infantino, ter recorrido às redes sociais para deixar uma mensagem eu seu nome e do de Donald Trump, apelando a que a decisão seguisse um caminho inverso.

“Esta noite, reuni-me com o presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, para discutir o estado da preparação do próximo Campeonato do Mundo, e o crescente entusiasmo, uma vez que estamos prestes a arrancar, dentro de apenas 93 dias”, começou por escrever o líder máximo do organismo que rege o futebol internacional.

“Nós também falámos sobre a atual situação no Irão, e do facto a seleção iraniana se ter qualificado para o Campeonato do Mundo de 2026. Durante as discussões, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, claro, bem-vinda a competir nos Estados Unidos da América”, prosseguiu.

“Todos nós precisamos de um evento como o Campeonato do Mundo, para unir as pessoas, agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos da América pelo seu apoio, uma vez que demonstra, uma vez mais, que o futebol une o mundo”, completou, numa curta mensagem.

RCP News

by Priscila Thomas