As notas do encontro deste domingo entre o Benfica e o Alverca, que terminou com uma vitória suada da turma encarnada. Águias ficam à espera do que vai acontecer no Clássico entre FC Porto e Sporting.
Antes de lhe contarmos o que aconteceu na noite de domingo do Estádio da Luz, é preciso explicar o porquê do título desta análise. Não, não ficámos loucos. Foi José Mourinho que o admitiu e nós fomos à boleia dessa comparação de Anísio Cabral a Drogba. Mas já lhe explicamos o porquê do nome do jovem avançado estar, de novo, no centro das atenções por ter resgatado o Benfica para um triunfo suado na receção ao Alverca, por 2-1.
Num domingo chuvoso em Lisboa, o Benfica parecia encaminhar-se para mais um empate na I Liga, que seria o oitavo na competição (o segundo seguido), e não por não ter mostrado argumentos para sair deste duelo com um triunfo mais concludente.
José Mourinho apostou mais na vertigem, com Rafa Silva a somar aquela que foi a primeira titularidade desde o regresso à Luz. Depois de uma forte entrada por parte dos encarnados, com remates de Rafa e de Aursenes, a bola acabou por entrar aos 16 minutos. O norueguês Schjelderup foi rápido a aproveitar um recarga e inaugurou o marcador.
Mas, do outro lado, estava uma equipa adulta. Exibindo organização defensiva primorosa e criando vários problemas ao Benfica nas transições para o ataque, o Alverca chegou ao golo do empate em cima da meia hora de jogo. Chiquinho cruzou da esquerda, Figueiredo assistiu Marezi sem deixar cair e a bola acabou por entrar na baliza de Trubin.
Depois do intervalo, as diferenças dispararam. O Alverca encolheu e o Benfica apresentou uma segunda parte de sentido único, tantas vezes avassaladora, como também ela errática. Os nervos começaram a apoderar-se dos jogadores encarnados e o Benfica estava a poucos minutos de ver fugir por entre os dedos a hipótese de recolher dividendos do Clássico desta segunda-feira no Estádio do Dragão entre FC Porto e Sporting.
Até que José Mourinho olhou para o banco e viu lá um jovem que acabaria por revelar-se decisivo. Ao minuto 85, Anísio Cabral foi lançado na partida, numa altura em que a sua equipa já não vivia sequer o seu melhor período do jogo. E não podia ter sido uma aposta mais certeira. O menino luso-guineense, que há semanas foi campeão do mundo sub-17, foi ao quinto andar para acabar com o sofrimento dos adeptos das águias.
O miúdo, o tal novo Drogba que Mourinho categorizou, manteve o Benfica na corrida pelo título de campeão nacional. O FC Porto está a seis pontos e o Sporting a dois. Resta agora saber o que sairá mais logo do Estádio do Dragão.
Mas vamos às notas desta partida:
Figura
Anísio Cabral entrou aos 88 minutos e segundos depois resolveu o jogo a favor do Benfica logo na primeira vez em que tocou na bola. Ficou ainda a certeza de que o Benfica, contra equipas muito fechadas, tem neste jovem um jogador que pode ajudar a finalizar cruzamentos para a área, ainda que, como o próprio Mourinho o admitiu, o jogo aéreo não seja o forte do lusoguineense.
Surpresa
Matheus Mendes mostrou que não está para brincadeiras. O habitual suplente de André Gomes (que não jogou por estar emprestado pelo Benfica) esteve em bom plano na Luz e protagonizou várias boas defesas. As luvas ainda nem tinham aquecido quando defendeu um remate de Schjelderup. Depois, seguiram-se inúmeras intervenções que foram mantendo vivo o Alverca até ao final.
Desilusão
Se no ataque não há uma palavra a dizer, na hora de defender Sidny Lopes Cabral tem de melhorar. A jogar no lado direito da defesa pela primeira vez desde que chegou ao Benfica, o caboverdiano deixou demasiadas vezes liberto o seu setor, incluindo o lance que deu o golo dos forasteiros.
Treinadores
José Mourinho
As águias podiam ter evitado momentos de grande sofrimento nesta partida se tivessem tido maior acerto na hora de finalizar. O Benfica foi colhendo as consequências do seu próprio desperdício e da ansiedade acumulada ao longo da partida e teve de ser um jovem a salvar a pele numa exibição cinzenta dos encarnados. Mas Anísio não vai estar sempre lá, ou podem nem sempre ter a sorte de marcar na primeira vez em que toca na bola.
Custódio Castro
Nada a apontar ao plano de jogo que o Alverca trouxe para esta partida. A lição estava bem estudada e os ribatejanos tiveram ideias articuladas para intentar estragos. Depois de 45 minutos bem disputados, e uma boa resposta ao golo do Benfica, a equipa recuou um pouco e acabou por ficar afetada com a saída de Chiquinho ao intervalo. Pode ter estado aqui o erro para que o Alverca não saísse com pontos da Luz.
Arbitragem
A arbitragem de Bruno Pires Costa fica marcada pelos vários pedidos de penálti por parte do Benfica e que certamente vão marcar presença na discussão pública dado serem lances de interpretação. Bem o VAR no golo anulado a Pavlidis.

Anísio reaparece ao salvamento e Benfica fica à espreita do Clássico

Em dia de eleição para o novo Presidente da República, o Benfica teve de sofrer a bom sofrer para levar a melhor na receção ao Alverca. Anísio Cabral voltou a fazer a diferença.

RCP NEWS
BY: JOAO CONCEICAO
