Greve Geral (e tensão junto à AR): Filme do dia

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A CGTP estimou que mais de três milhões de pessoas saíram à rua pela greve geral de quinta-feira, dia 11 de dezembro, mas o Governo considerou que a adesão foi “inexpressiva”. Da saúde à educação, passando pelos transportes e serviços públicos, recorde a paralisação em Portugal.

A greve geral desta quinta-feira em Portugal , teve impacto em vários setores, entre eles dos transportes, educação e saúde. A CGTP estimou que mais de três milhões de pessoas saíram à rua, mas o Governo considerou que a adesão foi “inexpressiva”

Saliente-se que esta foi a primeira paralisação a juntar CGTP e a UGT desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.

Em causa, refira-se, esteve o anteprojeto do Governo de revisão da lei laboral, que está a ser debatido na Concertação Social, e que visa áreas como parentalidade ou prazo dos contratos. Pode conferir os principais pontos em causa neste artigo.  

Destaques

  • CIP pode exigir retirada do pacote laboral se CGTP “procurar solução” há 2 horas
  • “O Governo recusa-se a assumir que a realidade é bem diferente” há 3 horas
  • Tensão na AR foi “à margem a manifestação da CGTP”. “Devemos condenar” há 3 horas
  • PSP fez seis detidos durante a manifestação contra o pacote laboral há 3 horas
  • Gouveia e Melo: “Desvalorizar greve não me parece ser atitude correta” há 6 horas
  • “Governo devia perceber que hoje não é um dia bom para o Governo” há 7 horas
  • “O país está sereno” e Governo “respeita a minoria que se expressou hoje” há 8 horas

Cecília Meireles: “Fiquei sem perceber qual era a lógica desta greve”

A antiga deputada do CDS Cecília Meireles esteve, esta quinta-feira, no Eixo do Mal, onde foi questionada acerca das declarações feitas esta semana, quando disse que “em Portugal é quase mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um trabalhador”.

Em relação aos problemas referidos pelos patrões, e que raramente são referidas por estes as leis laborais, a centrista foi questionada sobre a necessidade real das alterações que estão a caminho. “Acho que precisávamos de algumas alterações. Faz-me impressão estar num país que diz ‘precisamos de reformas’ e, pois sempre que alguém tenta mudar alguma coisa, há um enorme movimento contra e vontade que fique tudo na mesma”, começou por dizer.

No painel da SIC Notícias, em em relação à greve, disse: “Não está em causa flexibilizar por completo os despedimentos. Medida que, aliás, eu não seria a favor. Não está em causa desregular completamente a regulação laboral. Não está em causa uma medida, não há um decreto lei aprovado. Estamos a falar de uma proposta. Faz-me alguma confusão fazer-se greve contra propostas. Sobretudo, quando se diz que se quer fazer greve, mas ao mesmo tempo se quer negociar. Ou se quer negociar, e apresenta-se contraproposta até chegar a um consenso… Esta greve, confesso: Fiquei sem perceber qual era a lógica de fazer uma greve. Tanto mais que esta medida só pode ser tomada pelo Parlamento. Governo não tem maioria absoluta e portanto, vai ter de existir consenso”.

Sublinhando que “não acha inteligente” da parte dos sindicatos este passo, Cecília Meireles falou dos números, que foram uma “guerra” com o Executivo a falar de pouca adesão e com os sindicatos a falarem em grandes números. “A partir do momento que há greve geral, há greve dos transportes. Parando transportes e parando escolas, há muita gente que não vai trabalhar porque não pode. Nunca vamos saber se essas pessoas estavam a fazer greve ou tiveram de ficar em casa”, apontou.

CIP pode exigir retirada do pacote laboral se CGTP “procurar solução”

O presidente da CIP, Armindo Monteiro, disse, esta quinta-feira, estar disponível para exigir que o Governo retire a proposta do pacote laboral, “desde que a CGTP opte também por procurar encontrar uma solução que não seja apenas” deixar “tudo como está”.

“Se assim for, se houver uma vontade de construção em conjunto com CGTP e UGT, sim, estamos disponíveis para construir um modelo. Somos nós, que estamos nas empresas, que precisamos de encontrar um modelo de relacionamento do trabalho. Naturalmente que o Governo tem e terá toda a legitimidade para escolher outras opções, mas será sempre mais difícil escolher opções diferentes daquelas que pudermos concertar”, disse o responsável, na CNN Portugal.

“O Governo recusa-se a assumir que a realidade é bem diferente”

O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, apontou, esta quinta-feira, que o Executivo de Luís Montenegro foi quem “começou por manipular os números” de adesão à greve geral, uma vez que “recusa-se a assumir que a realidade é bem diferente daquilo que é o [seu] ponto de vista”.

“Quem começou por manipular os números foi o próprio Governo, na análise que fez da adesão à greve. E resolveu manipulá-los porque recusa-se a assumir que a realidade é bem diferente daquilo que é o [seu] ponto de vista. A realidade é a realidade e isso não se altera, independentemente da manipulação que cada um faz dos números. Foi uma das maiores greves que houve em Portugal”, disse o sindicalista, em declarações na CNN Portugal.

O responsável considerou ainda que “o que contraria a declaração do Governo é também o trabalho excelente que a comunicação social fez para cobrir esta greve geral”, que foi “testemunha do que presenciou no terreno”.

Mário Mourão assinalou também que, “pela primeira vez, fecharam-se balcões de instituições de crédito em Portugal”.

Tensão na AR foi “à margem a manifestação da CGTP”. “Devemos condenar”

O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, frisou, esta quinta-feira, que o protesto que se deu em frente à Assembleia da República e que deu azo a momentos de tensão aconteceu “à margem a manifestação da CGTP”, o que “foge ao total controlo da [sua] intervenção e que devemos condenar”.

“Tivemos, de facto, uma grande greve geral, e aquilo a que a CGTP se propôs foi trazer à rua o descontentamento generalizado dos trabalhadores a nível nacional relativamente a este pacote laboral. Realizámos um conjunto de manifestações a nível nacional, em todos os distritos do país e nas ilhas. Estiveram milhares de trabalhadores nesta iniciativa nas ruas de Lisboa e a CGTP sempre se pautou e vai continuar a pautar-se para que, nas suas manifestações, haja um espírito reivindicativo, combativo e que a mensagem que os traabalhadores querem passar passe. Obviamente que estes acontecimentos passam-se, mas aconteceram à margem a manifestação da CGTP, algo que foge ao total controlo da nossa intervenção e que devemos condenar”, disse, na CNN Portugal.

PSP fez seis detidos durante a manifestação contra o pacote laboral

Ao todo, foram detidas seis pessoas durante a manifestação que decorreu esta tarde em Lisboa, contra o pacote laboral, informou a Polícia de Segurança Pública (PSP).

Durante a tarde, um grupo de cerca de 150 indivíduos separou-se da manifestação e saiu de frente da Assembleia da República, deslocando-se em direção ao Chiado, causando estragos. Desse grupo, duas pessoas foram detidas.

Já dos milhares que se mantiveram em frente ao Parlamento, uma pessoa foi detida por ter transposto o perímetro de segurança policial e outras três foram detidas, já no final da manifestação, por resistência e coação e ofensas à integridade física qualificada.

Além destes seis detidos, duas pessoas foram identificadas.

PSP avança e tenta dispersar os manifestantes em frente à AR

Os agentes da PSP voltaram a avançar, não só para tentar dispersar os manifestantes que continuavam concentrados em frente ao Parlamento, mas também para facilitar o trabalho dos bombeiros, que procuravam conter um foco de incêndio.

“Governo devia perceber que hoje não é um dia bom para o Governo”

O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, considerou, esta quinta-feira, que o Executivo de Luís Montenegro “devia perceber que hoje não é um dia bom para o Governo”, tendo em conta que “as pessoas reconheceram que os direitos de quem trabalha e de quem se esforça foram postos em causa”.

“Quem perde com isto é o país. Temos de olhar para isto com alguma estupefação perante a irresponsabilidade de uns e de outros. Devíamos fazer perceber – e o Governo devia perceber – que hoje não é um dia bom para o Governo. É um dia em que as pessoas reconheceram que os direitos de quem trabalha e de quem se esforça foram postos em causa”, disse, em declarações à imprensa.

Greve?

Greve? “Se o Governo acha que está tudo normal, não está a perceber nada”

O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, considerou, esta quinta-feira, que se o Governo “acha que está tudo normal, não está a perceber nada do que está a acontecer no país”, a propósito da greve geral que paralisou o país.

RCP NEWS

by João conceição