A fita dos acontecimentos sobre as últimas horas no Parlamento vai sendo desenrolada, ao mesmo tempo que está a ser investigada pelas autoridades. Com o gabinete de André Ventura aberto, o que “por norma” acontece, alguém entrou e vandalizou o espaço. O que se sabe?

O gabinete de André Ventura na Assembleia da República (AR) apareceu, esta terça-feira, revirado. Nas redes sociais, o líder do Chega partilhou imagens que mostravam a confusão instalada, com papéis espalhados pelo chão e uma cadeira tombada. Entre o alerta de uma funcionária da limpeza, a ativação da Polícia Judiciária (PJ) e o deputado do Chega que foi o primeiro a chegar para fazer um vídeo no TikTok… o que se sabe?
A SIC Notícias avançou que André Ventura abandonou o gabinete ontem, segunda-feira, pelas 19h e que o deputado Francisco Gomes foi o primeiro a chegar esta terça-feira, por volta das 7h. Contactada pelo Notícias ao Minuto, fonte do partido explicou que parecia haver alguma “confusão”, dado que o deputado Francisco Gomes chegou cedo, sim, mas que, quando chegou, já as autoridades estavam no local. O deputado ia a caminho de um outro gabinete para, sim, gravar um vídeo para o TikTok.
É que, explica a mesma fonte, para entrar na sala para a qual se dirigia, o deputado tinha de passar pelo gabinete de Ventura – onde já estavam as autoridades, assim como a funcionária da limpeza que deu o alerta.
A RCP NEWS adianta, ainda, que a “pen drive” que terá desaparecido, que terá informações relevantes para a comissão parlamentar de inquérito (CPI) de Luís Neves, não terá sido referida pelo partido à PJ. Questionado sobre a situação, o Chega nega, dizendo que “tudo o que desapareceu” foi detalhado às autoridades.
Fonte do partido confirmou também que o gabinete ficou aberto, algo que, “por norma”, costuma acontecer.
As imagens da confusão no gabinete foram partilhadas por André Ventura nas redes sociais, numa publicação em que o líder da oposição acusava desde logo: “Alguém estava à procura de alguma coisa e não se coibiu de agir dentro do próprio Parlamento. Não sei ainda se foi roubado algum documento ou não, mas atingimos o grau zero da nossa democracia”.
Rondas no Parlamento
As forças de segurança destacadas na instituição fazem rondas todas as noites pelos gabinetes, por forma a confirmar se estes estão fechados, mas, de acordo com fonte do Chega, não terá sido detetado nenhum distúrbio vindo do gabinete afetado.
O Observador lembra que não existem câmaras de vigilância no interior da Assembleia da República, existindo apenas videovigilância no exterior, imagens estas que estão a ser analisadas pelas autoridades. A Guarda Nacional Republicana é a responsável pela segurança no interior. O Notícias ao Minuto tentou contactar os serviços da AR para inquirir acerca das dinâmicas – nomeadamente, em relação ao número de rondas e de efetivo – mas ainda sem sucesso.
Uma nota entretanto divulgada pelo Parlamento explica que o serviço de segurança da AR isolou imediatamente o gabinete do presidente do Chega e comunicou o caso à PJ logo que tomou conhecimento do incidente. Na mesma nota, refere-se que, “concluídas as diligências realizadas no local pela PJ, a investigação prossegue sob a sua direção, no âmbito das respetivas competências”.
Em relação aos documentos que desaparecerem, Ventura adiantou: “Um dos lotes dos documentos que desapareceram estavam numa das pastas que estão logo em cima da mesa e que se referiam à comissão parlamentar de inquérito ao dr. Luís Neves”.
“Esses documentos, juntamente com essa pen [drive] desapareceram na manhã de hoje e espero que possa ser recuperados”, salientou.

André Ventura explicou ainda que os outros documentos que desapareceram “tinham que ver com informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro e já tinha mais de um ano”.

RCP NEWS
by: João conceição
