Ataque em Londres é classificado como terrorismo com possível motivação antissemita

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O esfaqueamento de dois homens hoje em Londres foi declarado formalmente um incidente de terrorismo pela polícia, que suspeita que o ataque visou deliberadamente a comunidade judaica.

Em declarações aos jornalistas, o comissário-adjunto e chefe da unidade de contraterrorismo da Polícia Metropolitana de Londres, Laurence Taylor, confirmou que o incidente foi “formalmente declarado um incidente terrorista”, acrescentando que a polícia está a investigar com os serviços secretos para apurar “rapidamente” o que aconteceu.

“Uma das linhas de investigação é se este ataque visava deliberadamente a comunidade judaica de Londres”, adiantou, “especialmente na sequência de outros incidentes ocorridos nas últimas semanas”. 

“Quero deixar claro que as forças policiais antiterroristas, em todo o país, estão a mobilizar-se para prestar apoio adicional e tranquilizar a população. E pedimos que à população que esteja vigilante”, acrescentou. 

Um homem de 45 anos foi hoje detido sob suspeita de tentativa de homicídio, na sequência de um esfaqueamento de duas pessoas, um homem na casa dos 70 anos e outro na casa dos 30. 

As duas vítimas foram assistidas no local por ferimentos de arma branca e transportadas para o hospital, encontrando-se ambas em estado estável.

Segundo a polícia, o alerta foi dado às 11:16 (mesma hora em Lisboa), após relatos de várias pessoas esfaqueadas na Highfield Avenue, em Golders Green, bairro com uma grande comunidade judaica.

Para o local foram despachados agentes da polícia, incluindo unidades armadas, e um suspeito foi imobilizado com uma pistola de choque elétrico (taser) e detido após ter tentado esfaquear agentes policiais.

O ataque é o culminar de uma série de incidentes contra alvos judeus, nomeadamente o incêndio de ambulâncias da organização Hatzola e um ataque a várias sinagogas. 

O primeiro-ministro, Keir Starmer, disse hoje no parlamento que o ataque é “profundamente preocupante”.

O chefe do Governo manifestou-se “absolutamente claro na nossa determinação em lidar com qualquer uma destas agressões, do tipo das que temos visto com demasiada frequência nos últimos tempos”.

O Presidente da Câmara Municipal de Londres, Sadiq Khan, também condenou o “ataque repugnante contra dois londrinos judeus” e agradeceu aos “heroicos voluntários da Hatzola e da Shomrim pela sua resposta rápida a este terrível incidente.  

“A comunidade judaica de Londres tem sido alvo de uma série de ataques antissemitas chocantes. Não deve haver absolutamente nenhum lugar para o antissemitismo na sociedade”, frisou.

O número de incidentes antissemitas registados em todo o Reino Unido disparou desde o ataque liderado pelo Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023, e a subsequente guerra de Gaza, segundo a organização Community Security Trust, que registou 3.700 incidentes em 2025, contra 1.662 em 2022.

Em outubro de 2025, um agressor atropelou pessoas reunidas no exterior de uma sinagoga em Manchester, durante a celebração do Yom Kippur, e esfaqueou uma pessoa até à morte. Outra pessoa morreu durante o ataque após ter sido acidentalmente alvejada pela polícia.

RCP News

by Priscila Thomas