“Ronaldo, Portugal”: A resposta de homem soterrado aos operacionais lusos

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Operacionais portugueses estão há mais de 50 horas envolvidos numa operação para resgatar um homem soterrado e trabalham minuciosamente para conseguir dar um milagre a Catia La Mar que reaviva a esperança de quem viu a vida desabar.

São 13h00 locais (18h00 em Lisboa), nem o vento, que por vezes sopra com força, alivia o calor que se sente em Catia La Mar, destino turístico convertido em cemitério a céu aberto depois de dois terramotos, há uma semana, que assolaram a Venezuela.

Passaram seis dias desde que um homem, “com cerca de 43, 44 anos”, que trabalhava num parque de estacionamento, ficou soterrado quando a terra engoliu o edifício que estava por cima.

A solidão foi interrompida há dois dias, quando ouviu as palavras da Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa.

Hugo Costa, comandante deste contingente, disse que quando localizaram o homem, esta vítima dos terramotos de 24 de junho respondeu: “Ronaldo, Portugal”, aludindo ao futebolista Cristiano Ronaldo.

O jubilo é visível no rosto de Hugo Costa quando conta esta história à Lusa.

Não sabem se é português, se é lusodescendente, a nacionalidade não importa.

É uma pessoa e estão aqui para resgatá-la: “Não vamos desistir, leve um dia, leve uma semana”, disse.

Passou uma semana, as 72 horas consideradas “críticas” já lá vão. São cada vez mais os corpos de vítimas retirados dos escombros do que pessoas resgatadas.

O sismo não é o único que causou vítimas, a desidratação é igualmente mortal.

No entanto, “a esperança é sempre a última a morrer”, referiu o comandante deste contingente.

“Não seria a primeira e esperamos que não seja a última vez que ao final de sete, oito, nove dias, encontramos pessoas com vida”, acrescentou Hugo Costa.

A conversa com a Lusa foi momentaneamente interrompida, vai haver rotação de elementos desta força operacional portuguesa e o comandante dá as instruções.

“Muitas vezes é preciso reajustar”, frisou, e foi isso mesmo que se fez.

O vento sopra cada vez mais forte, alguns vidros das janelas do prédio devoluto caem, o perímetro de segurança é aumentado. Uma réplica ou outro tipo de “sacudidela” pode fazer desabar tudo.

Por isso, os operacionais portugueses e chilenos, apoiados por um contingente venezuelano e dos Estados Unidos, trabalham incessantemente para resgatar o homem que pode trazer um pouco de esperança a Catia La Mar.

Nas ruas à volta já se fala de um homem que está vivo e isso desperta a curiosidade. Há quem reze, há quem grave, há quem só fique a olhar enquanto aguardam o desfecho.

“Como disse no princípio, a esperança é a última a morrer”, afirmou Hugo Costa, que rapidamente foi para outra parte.

A operação é delicada, precisa de mãos, muitas, mas cirúrgicas. Um cálculo errado colocará toda as pessoas envolvidas no resgate e o homem soterrado em perigo. Para que os detritos que estão por cima não caiam, a ideia é removê-los “em segurança”.

Fazê-lo vai aumentar o tempo previsto da operação, mas esta não é uma luta contra o tempo: “O que importa é devolvê-lo à família”, concluiu.

A bandeira portuguesa foi hasteada à saída deste parque de estacionamento, para que, se assim acontecer, o homem veja o país pelo qual gritou quando ouviu do outro lado do betão as vozes que vieram do outro lado do Atlântico.

BY; Joao conceicao