Ricardo Sá Pinto acredita que “tudo é possível”, nos quartos de final da Liga dos Campeões, entre Sporting e Arsenal, e aponta Viktor Gyokeres como “um dos melhores, se não o melhor negócio da sua história”.
Ricardo Sá Pinto concedeu, esta terça-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva britânica BBC Sport, na qual procurou explicar a maneira como o Sporting se reergueu, do ponto de vista desportivo e financeiro, ao longo dos últimos anos, até chegar aos quartos de final da Liga dos Campeões, onde terá pela frente o Arsenal.
“O Sporting conseguiu estabilizar-se, ao nível diretivo, o que era extremamente importante. A tomada de decisões tem estado concentrada em duas ou três pessoas. Eles protegeram os jogadores, mantiveram o balneário unido e construíram uma relação equilibrada com a comunicação social”, começou por afirmar o ex-jogador, dirigente e treinador do emblema verde e branco.
“Ao longo dos últimos 20 ou 30 anos, também havia sempre a sensação de que o Sporting era o patinho feio, a equipa que estava constantemente no lado errado das decisões. Eu próprio passei por isso, tanto enquanto jogador como enquanto treinador do clube. A introdução do VAR ajudou a nivelar as coisas, no futebol português”, acrescentou.

O antigo internacional português puxou, ainda, a ‘cassete’ atrás, para recordar a edição de 2011/12 da Liga Europa, na qual orientou os leões até às meias finais, numa caminhada que ficou marcada pela histórica vitória sobre o Manchester City, numa eliminatória que ficou resolvida graças aos dois golos marcados no Etihad Stadium.
“Das cinco meias finais continentais da história do clube, eu estive envolvida em duas. Isso deixa-me incrivelmente orgulhoso. Enquanto treinador, conseguimos eliminar aquele Manchester City, de Roberto Mancini, a chamada equipa de 500 milhões de euros, que toda a gente esperava que nos humilhasse”, atirou.
“Lembro-me perfeitamente dela. Fizemos dois jogos extraordinários. Vencemos em casa, por 0-1, e perdemos fora, por 3-2, mas seguimos em frente”, completou.
“Sem Gyokeres, não teria sido o mesmo Sporting”
Ricardo Sá Pinto enalteceu, ainda, o papel que Viktor Gyokeres (agora, jogador do Arsenal) desempenhou na ‘revitalização’ do Sporting: “Foi um dos melhores, se não o melhor negócio da sua história. Primeiro, ao nível futebolístico, as pessoas estavam apreensivas. Pagar cerca de 20 milhões de euros por um jogador do Coventry City, sem grandes provas dadas ou currículo…”.
“Ele tinha talento, toda a gente conseguia ver isso, mas mesmo assim… Por isso, o mérito total tem de ir para o departamento de recrutamento, porque identificou uma enorme oportunidade. É claro que todos nós gostaríamos que ele tivesse ficado, mas, com 26 ou 27 anos, depois de duas grandes épocas, é natural que um jogador queira sair para outro campeonato, para um nível diferente, com objetivos diferentes”, refletiu.
“Ainda assim, devia ser recebido com uma enorme ovação e uma verdadeira gratidão por parte de todos nós. É claro que as saídas são sempre complicadas. Houve um certo impasse, na altura, com o clube a defender os seus interesses, mas isso não significa que não gostassem dele. Os adeptos, obviamente, gostam dele e percebem a situação”, prosseguiu.
“O impacto dele no Sporting foi absolutamente brutal. Com todo o respeito pelos outros jogadores, porque o Sporting sempre teve bons jogadores, ao longo dos dois últimos anos, sem Gyokeres, não teria sido o mesmo Sporting. Ainda assim, sonhar e acreditar é essencial, na vida. Eu acredito verdadeiramente que tudo é possível, nesta eliminatória”, concluiu.
RCP News
by Priscila Thomas

