Moscovo afirmou hoje que Washington nunca atendeu ao seu pedido para cessar de partilhar informações secretas com a Ucrânia para ataques a território russo, entre denúncias de que Moscovo estará a fornecer dados semelhantes ao Irão.
“No âmbito dos contactos disponíveis, transmitimos regularmente aos representantes norte-americanos a inadmissibilidade de fornecer ao regime de Kyiv informações secretas”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão estatal russa.
Zakharova indicou que o Exército ucraniano utiliza essa informação “para realizar ataques de longo alcance, com armas fornecidas pelos países do Ocidente, contra território russo e, claro está, alvos civis”.
“Vemo-nos obrigados a reconhecer que, em resposta aos nossos protestos, a parte norte-americana, por norma, dá respostas vagas ou simplesmente permanece em silêncio. Por isso, abordamos a questão periodicamente”, concluiu, sobre a guerra russa em curso na Ucrânia desde fevereiro de 2022, data em que a Rússia iniciou a invasão do país vizinho.
No início de março, circularam rumores de que a Rússia estaria a fornecer ao Irão informações dos serviços secretos sobre a localização de forças norte-americanas, o que permitiu à República Islâmica lançar ataques precisos contra os seus agressores.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente desvalorizou os rumores, mas depois admitiu que Moscovo está a ajudar “um bocadinho” Teerão.
Pouco depois, o enviado de Trump para negociações com a Rússia, Steve Witkoff, declarou à imprensa que a parte russa lhe tinha comunicado que não era verdade que partilhasse tais informações com o Irão.
Por seu lado, o Kremlin negou alegadas negociações com Washington para cessar simultaneamente a partilha de informações secretas com a Ucrânia e o Irão.
Na passada segunda-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os seus serviços secretos militares (GUR) têm “provas irrefutáveis de que os russos continuam a fornecer informações secretas ao regime iraniano”.

Zelensky assegurou ainda ter informação de que a Rússia está a ajudar os iranianos a produzir drones que têm sido utilizados contra países terceiros no âmbito das suas campanhas de bombardeamentos.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos – entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani – e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.
A organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou a 23 de março o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.268, entre as quais 1.443 civis – incluindo 217 crianças -, 1.167 militares e 658 pessoas cujo estatuto não foi precisado.
RCP News
by Priscila Thomas

