Os Estados Unidos podem ter sido os responsáveis pelo ataque a uma escola primária no Irão, que causou a morte de 165 pessoas, segundo a própria investigação norte-americana ao incidente.
Uma investigação norte-americana acredita que é bastante provável que as forças dos Estados Unidos tenham sido responsáveis pelo ataque a uma escola primária só de raparigas no sul do Irão. Mais de 160 pessoas morreram nessa ofensiva.
A informação é avançada pela agência Reuters que cita duas autoridades próximas do assunto, notando que a investigação ainda não terminou e que também ainda não foi retirada qualquer conclusão das provas recolhidas até ao momento. O mesmo meio deixa também a ressalva de que não foi possível apurar que evidências apontam para uma ação norte-americana no ataque, quem terá ordenado a ofensiva ou o porquê de a escola ter sido visada.

As mesmas fontes disseram ainda à agência de notícias que não foi ainda excluída a possibilidade de surgirem novos elementos que possam exonerar de culpa os Estados Unidos e apontar para outro responsável pela morte de mais de uma centena de crianças iranianas. Para já, não há qualquer indicação sobre quando é que a investigação irá terminar.
A escola em causa, em Minab, no sul do Irão, foi bombardeada três vezes durante o primeiro dia da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, segundo o porta-voz do Ministério da Educação iraniano. Ao todo, morreram 165 pessoas, sendo que uma parte significativa das vítimas será de raparigas menores.
O estabelecimento de ensino, note-se, ficava a pouco mais de 60 metros de uma base militar da Guarda Revolucionária iraniana, tendo mesmo pertencido à mesma durante vários anos. A separação aconteceu em 2016, há dez anos.
A Reuters questionou o Pentágono sobre a situação, que reencaminhou as questões para o Comando Central do exército norte americano. O porta-voz, o Capitão Timothy Hawkins recusou comentar. “Seria inapropriado fazer comentários tendo em conta que o incidente ainda está sob investigação”.
Já a Casa Branca, através da também porta-voz, Karoline Leavitt afirmou apenas: “Enquanto o Departamento de Guerra está a investigar este assumo, é o regime iraniano que faz de alvo civis e crianças, não os Estados Unidos da América”.
Na quarta-feira, titular desta parte, Pete Hegseth, já tinha afirmado que o incidente estava a ser investigado. “Nós, obviamente, nunca temos como alvo civis. Mas estamos a olhar para o assunto e a investigar”.
Esta sexta-feira, peritas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) exigiram que o bombardeamento da escola seja investigado como um possível crime de guerra.
“Um ataque contra uma escola em funcionamento durante o horário escolar levanta as preocupações mais graves do ponto de vista do direito internacional”, afirmaram no comunicado, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
O ataque “deve ser investigado de forma urgente, independente e eficaz, com a devida prestação de contas”, acrescentaram.
Note-se que, até ao momento, os ataques dos Estados Unidos e de Israel têm sido divididos geograficamente, segundo a Reuters. Telavive ficou com o leste iraniano e Washington com o sul.
RCP News
by Priscila Thomas

