Governo chinês pede que cidadãos abandonem o Irão “o mais rápido possível”

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O aviso foi feito esta sexta-feira perante o risco significativo de o país ser alvo de um ataque norte-americano.

A China aconselhou os seus cidadãos a evitar viajar para o Irão e instou aqueles que residem neste país a sair o quanto antes, num aviso pouco comum por parte de Pequim e que poderá indicar uma escalada na tensão com Washington, tendo em conta o cenário de relações complexo deste último com o Irão.

O país terá alegado questões de segurança, refere a agência Xinhua, esta sexta-feira, citada pela Reuters.

Pequim refere-se, ainda, “ao aumento significativo dos riscos de segurança externa”, numa altura em que o país tem recebido ameaças de ataque provenientes dos Estados Unidos da América (EUA).

“À luz da atual situação de segurança no Irão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China e as embaixadas e consulados chineses no Irão alertam os cidadãos chineses para evitarem viajar para o Irão por enquanto”, pode ler-se no comunicado, segundo o The Times of Israel.

“Recomenda-se aos cidadãos chineses que se encontram atualmente no Irão que reforcem as precauções de segurança e que saiam o mais rapidamente possível”, acrescenta-se.

EUA e Irão em negociações 

Os EUA e o Irão têm protagonizado, nos últimos dias, várias rondas de negociações que representam a última oportunidade para evitar um confronto militar entre os dois países após um massivo destacamento de forças norte-americanas no Médio Oriente e no Golfo Pérsico.

Donald Trump lançou, a 19 de fevereiro, um ultimato de “10 a 15 dias” para decidir se um acordo com Teerão era possível ou se iria recorrer à força.

As partes realizaram na quinta-feira, durante várias horas, interrompidas por uma pausa ao meio-dia, uma terceira sessão de negociações na residência do embaixador de Omã, nos arredores de Genebra, tendo o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmado terem sido as negociações “mais intensas”.

“Esta sessão de negociações foi a mais intensa até à data”, sublinhou o negociador iraniano numa mensagem publicada na rede social X, acrescentando que “foram alcançados novos progressos no compromisso diplomático com os Estados Unidos”.

EUA ameaçam Irão

Na terça-feira, e apesar destas negociações, Trump voltou a dizer, durante o discurso sobre o estado da União no Congresso, que não vai permitir que o Irão tenha armamento nuclear.

O Irão assinou, em 2015, um acordo para limitar o seu desenvolvimento nuclear — em troca de um alívio das sanções económicas ao país — com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido e também com a Alemanha e a União Europeia. 

No entanto, o acordo perdeu efeito depois de o próprio Trump retirado unilateralmente os Estados Unidos do tratado, em 2018, durante o seu primeiro mandato (2017-2021).

O programa iraniano sofreu um duro golpe com os bombardeamentos israelitas e norte-americanos em junho de 2025, que causaram mais de 1.100 mortos no país e destruíram infraestruturas nucleares.

As recomendações da China juntam-se às de vários outros países que elevaram os seus alertas de segurança, como a Suécia, a Sérvia, a Alemanha, a Índia, a Coreia do Sul, o Brasil, a Austrália, o Reino Unido ou o Canadá.

RCP News

by Priscila Thomas