Tensão no Médio Oriente pode impulsionar cruzeiros rumo à Madeira

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A guerra no Médio Oriente poderá contribuir para aumentar o movimento de navios de cruzeiros na Madeira, afirmou hoje o secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, alertando também para o impacto negativo do conflito.

“As crises políticas, os conflitos militares, têm consequências positivas e têm consequências negativas. As negativas, nós já estamos a sentir no preço dos combustíveis e vai ter impacto, naturalmente, nos preços dos bens essenciais”, disse.

José Manuel Rodrigues, que falava em conferência de imprensa na Gare Marítima da Madeira, no Funchal, destacou, por outro lado, as “consequências positivas” da tensão no Médio Oriente, que decorre da ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra o Irão, a que este respondeu com ataques contra países vizinhos.

“A crise naquela zona do globo pode fazer desviar para o Atlântico cruzeiros. Desse ponto de vista, até podemos vir a beneficiar com o mal dos outros. Não é um bom motivo, mas é a lei da vida”, afirmou.

Em relação aos transportes marítimos de mercadorias, explicou que o valor dos fretes é fixado mensalmente, pelo que ainda não se repercutiram no movimento de navios entre os portos de Leixões e Lisboa e o porto do Caniçal, na Madeira.

“Não quer dizer que isso não venha a acontecer dentro de duas ou três semanas”, advertiu.

O governante, que tutela a empresa pública APRAM — Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, lembrou que a região registou, em 2025, o maior número de sempre de escalas de navios de cruzeiro — 331 –, movimentado cerca de um milhão de pessoas e gerando 62,9 milhões de euros de receita para a economia regional.

Já este ano, os meses de janeiro e fevereiro registaram um aumento face ao período homólogo, com um total de 85 escalas (+25%) e mais de 300 mil pessoas em circulação, entre passageiros e tripulantes.

O secretário da Economia no executivo de coligação PSD/CDS-PP indicou, por outro lado, que os três portos da região autónoma — Caniçal, Funchal e Porto Santo — movimentaram 1.466.243 toneladas de mercadoria em 2025, +2,38% face ao ano anterior, um novo máximo histórico.

A mercadoria contentorizada representou 817.324 toneladas (+4,79%) e os granéis líquidos (maioritariamente combustíveis) 349.276 toneladas (+2,12%), ao passo que os granéis sólidos (cimento e cereais) representaram 215.639 toneladas (-5,14%) e a carga geral 49.972 toneladas (-2,94%).

Em 2025, foram movimentados 5.664 contentores nos três portos da região (+6,79% face ao ano anterior), sendo que os portos do Caniçal e do Porto Santo movimentaram 14.600 viaturas (11.553 entradas e 3.047 saídas).

Em relação a 2024, entraram menos 352 viaturas e saíram mais 683.

A APRAM arrecadou cerca de 700 mil euros em taxas de uso portuário para mercadorias em 2025.

“Estes são números, no que se refere a cruzeiros e a carga, muito significativos […]. Vamos a caminho, com certeza, em 2026, se nada acontecer no mundo, de poder ter o melhor ano de sempre”, disse o secretário da Economia, também líder da estrutura regional do CDS-PP.

RCP News

by Priscila Thomas