”Estados unidos” Portugueses em Newark com receio após operação do ICE em empresa

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A empresa OCEAN SEA FOOD , propriedade do português Luís Janota com raízes ribatejanas, já havia sido alvo de rusgas em janeiro deste ano, poucos dias após a tomada de posse de Donald Trump.

empresa de um português, localizada na cidade norte-americana de Newark, estado de Nova Jérsia, voltou hoje a ser alvo de rusgas anti-imigração ilegal, uma situação que deixou a comunidade portuguesa da região apreensiva.

Ao início da manhã de hoje, dezenas de agentes, incluindo do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e do Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês), entraram na Ocean Seafood Depot, empresa dedicada à comercialização de marisco em Newark, no estado de Nova Jérsia, no nordeste do país.

A empresa, propriedade do português Luís Janota, já havia sido alvo de rusgas em janeiro deste ano, poucos dias após a tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, que prometeu a “maior deportação em massa da história” do país.

Testemunhas disseram à Lusa que os agentes entraram na empresa e foram separando os trabalhadores com estatuto regularizado dos restantes, sendo que quem estava em situação legal recebeu uma pulseira vermelha e foi autorizado a deixar o local.

Os restantes terão ficado retidos no interior do estabelecimento comercial e posteriormente levados em carrinhas com vidros escuros, segundo testemunhas que não quiseram ser identificadas, que indicaram ainda que os agentes tinham uma lista de pessoas que procuravam.

Imagens captadas no local mostravam os polícias de rosto coberto e sem identificação visível, uma prática que vem sendo recorrente por parte dos agentes do ICE.

Portugueses denunciam clima de medo

À Lusa, a empresária luso-americana Isabelle Coelho-Marques, fundadora da empresa de relações públicas Plusable e que atua no estado norte-americano de Nova Jérsia, denunciou um clima de receio e apreensão que se instalou na comunidade portuguesa após as novas rusgas. 

“Com as investidas do ICE no Ironbound, este bairro da cidade Newark conhecido pela forte presença portuguesa e brasileira, o sentimento é de muita apreensão. O bairro do Ironbound não foi apenas moldado pelo contributo imigrante, como continua a ser uma máquina económica cujo motor é a força do trabalho destas comunidades”, defendeu.

“As atuações do ICE não só assustam o bairro como têm um impacto muito negativo ao nível da economia local”, acrescentou a empresária.

Christine Cuttita, porta-voz regional do ICE, descreveu a operação de hoje como parte de uma “investigação de segurança interna”, na qual foi cumprido um “mandado de busca”, segundo a imprensa local.

Newark acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas

Já na operação de que foi alvo em janeiro, o empresário português havia descrito uma situação semelhante à de hoje, na qual uma dezena de agentes do ICE entraram nas suas instalações e “começaram a pedir papéis de identificação aos trabalhadores”.

Dos três funcionários detidos na ocasião, nenhum era português, sendo que Luís Janota acreditava que a operação de janeiro teria partido de uma denúncia.

Newark, que acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos, é uma das várias “cidades santuário” do país, onde existem leis locais e estaduais que protegem a população indocumentada e que acabam por ser um refúgio para pessoas que não conseguiram regularizar a sua situação.

Tem havido um aumento das detenções pelo Serviço de Imigração e Alfândega desde que Trump iniciou o seu segundo mandato, com relatos de rusgas em todo o país, prevendo-se um aumento massivo deste tipo de operações nas ”cidades santuário” bastiões da criminalidade, segundo fontes do departamento do Homeland Security.

Além disso, somam-se os casos de cidadãos detentores de ‘Green Card’ – residência permanente legal -que foram detidos e entraram em processo de deportação.  

Rcp news

by : João conceição