EUA e China dizem partilhar posição sobre guerra no Irão, mas diferenças persistem

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O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que os Estados Unidos e a China têm “uma visão muito semelhante” sobre a guerra no Irão. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China mostrou-se crítico das ações norte-americanas, tendo declarado que “não há justificação para que este conflito, que nunca deveria ter ocorrido, continue”.

O presidente norte-americano, Donald Trump, apontou, esta sexta-feira, que os Estados Unidos e a China partilham “uma visão muito semelhante” sobre a guerra no Irão, que ambicionam que “acabe” sem que Teerão tenha “uma arma nuclear”. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China mostrou-se crítico das ações norte-americanas, tendo declarado que “não há justificação para que este conflito, que nunca deveria ter ocorrido, continue” e que “encontrar uma solução [diplomática] o mais rapidamente possível seria do interesse” de todas as partes.

“Discutimos o Irão. Partilhamos uma visão muito semelhante sobre o Irão; queremos que [a guerra] acabe e não queremos que eles tenham uma arma nuclear. Queremos que o estreito [de Ormuz] fique aberto. Estamos a fechá-lo agora. Eles fecharam-no e nós fechámo-lo por cima. Mas queremos o estreito aberto e queremos que eles parem com isso, porque é uma loucura”, disse o chefe de Estado norte-americano, citado pela Sky News.

Trump foi mais longe, tendo atirado que os iranianos “são um pouco loucos e isso não é bom”. “Não pode ser. Eles não podem ter uma arma nuclear”, asseverou.

Contudo, e apesar de concordar que “é importante reabrir as rotas marítimas o mais rapidamente possível”, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China frisou, em comunicado, que “não há justificação para que este conflito, que nunca deveria ter ocorrido, continue“.

“A posição da China sobre a situação no Irão é muito clara. Este conflito já causou graves prejuízos às populações dos países da região, incluindo o Irão, e os seus efeitos colaterais continuam a alargar-se. Perturbou gravemente o desenvolvimento económico global, o bom funcionamento das cadeias de produção e abastecimento, a ordem do comércio internacional e a estabilidade do abastecimento energético global, e prejudicou os interesses comuns da comunidade internacional”, lê-se na missiva.

O organismo diplomático apontou ainda que “não há justificação para que este conflito, que nunca deveria ter ocorrido, continue”, tendo considerado que “encontrar uma solução o mais rapidamente possível seria do interesse tanto dos Estados Unidos como do Irão, bem como dos países da região e do mundo em geral”.

Entretanto, o presidente dos Estados Unidos concluiu esta sexta-feira a visita oficial à China, onde insistiu que as relações entre as duas maiores potências mundiais “são boas e estão a melhorar”, ainda que existam divergências profundas.

Isto porque, apesar do tom otimista, os encontros colocaram em evidencia as tensões persistentes entre as nações. Aliás, Pequim mostrou pouco interesse público em envolver-se mais na resolução do conflito com o Irão, embora Trump tenha garantido que Xi se ofereceu para ajudar.

Neste último dia na capital chinesa, Trump assegurou que o líder chinês o “felicitou por tantos sucessos extraordinários”, e explicou que, quando se referiu aos Estados Unidos como “talvez uma nação em declínio”, estava a falar do antecessor, Joe Biden.

A China, que é o principal parceiro estratégico e económico do Irão, recebe a maioria das exportações de petróleo iraniano e é diretamente afetada pela quase paralisação do estreito de Ormuz. No entanto, o chefe de Estado norte-americano afirmou que Pequim manifestou interesse em adquirir petróleo e produtos agrícolas dos Estados Unidos, sem avançar valores. A Casa Branca indicou também que foram alcançados “acordos comerciais fantásticos”, incluindo a promessa da aquisição de 200 aviões Boeing.

Trump fez-se acompanhar por uma delegação de grandes empresários, entre eles os presidentes da Mastercard e da Visa, e discutiu com Xi o acesso das empresas norte-americanas ao mercado chinês.

RCP News

by Priscila Thomas