Região de Leiria regista “concentração severa” de danos

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O coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País disse haver “uma concentração brutal” dos danos na Região de Leiria, defendendo que a proporcionalidade dos apoios deve estar ligada ao total dos danos.

“O que eu posso dizer é que todos os dados que tenho [indicam que] há uma concentração brutal aqui e o Governo tem estado muito atento a isso e está também a canalizar naquilo que são as medidas, na procura delas, está a ir ao encontro da proporção dos danos”, afirmou à agência Lusa Paulo Fernandes, defendendo que aquelas têm “de ser justas”.

Numa entrevista quando passa praticamente um mês desde que a depressão Kristin atingiu gravemente esta região, Paulo Fernandes deu exemplos deste impacto.

“Quando olho para as casas até agora candidatadas, mais de 50% estão aqui na CIM [Comunidade Intermunicipal da Região] de Leiria, quando olho para a procura das empresas, nomeadamente à linha de tesouraria, que já tem mais de mil milhões de euros de procura, mais de 500 milhões de euros são empresas de Leiria”, enumerou.

Paulo Fernandes adiantou que, “só por estes dois dados, da parte das casas particulares e na parte das empresas, percebe-se que, sem surpresa nenhuma, quando agora saírem os próximos relatórios também dos danos municipais, das coletividades”, entre outros, não vai causar admiração que “também 50% a 60% dos danos” estejam nesta região.

Integram a CIM da Região de Leiria os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós

A Estrutura de Missão, criada em 03 de fevereiro, termina o mandato em 31 de dezembro de 2027, com o seu coordenador a assumir que as energias desta entidade “começam também a canalizar-se, cada vez mais, para uma ideia de médio prazo, e isso é muito importante”.

“Os próprios autarcas começaram eles próprios a desenvolver alguns planos de médio prazo”, realçou, referindo ainda a decisão do Governo de criar o PTRR.

O PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência é, segundo o Governo, um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões de Portugal continental entre 28 janeiro e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país “para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo”.

“Há, cada vez mais, uma abordagem de médio e longo prazos para uma região afetada, numa perspetiva não só já de recuperação, mas de revitalização”, adiantou o coordenador, assegurando que vai procurar “deixar, também do ponto de vista de planeamento, ferramentas fortes, capazes, orientadas para um futuro que possa ser mais próspero para esta região”.

E, em 01 de janeiro de 2028, Paulo Fernandes gostaria de poder dizer que a Estrutura de Missão fez tudo o que estava ao seu alcance, mas, acima de tudo, que deixou esta região mais bem preparada do que “ela estava antes da madrugada trágica” de 28 de janeiro.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.

RCP News

by Priscila Thomas