Luso-venezuelana libertada atira: “Portugal deveria ter mais presença”

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A luso-venezuelana Carla da Silva, agradeceu hoje o acompanhamento das autoridades portuguesas enquanto esteve presa na Venezuela, mas reclamou mais determinação de Portugal na defesa dos presos políticos de origem portuguesa, a luso-venezuelana Carla da Silva foi detida em 2020 e condenada a 21 anos de prisão pelos crimes de Conspiração e Associação Para Cometer Crimes no âmbito do caso Gedeón, tentativa de golpe de Estado. Foi libertada no domingo.



Com 42 anos e presa desde os 36, Carla Rosaura da Silva Marrero diz ter agora uma nova missão: o compromisso moral de lutar pela liberdade de companheiros que estão presos e de acompanhar os seus familiares.

“Portugal deveria ter um pouco mais de presença, como a embaixada de Espanha e França que lutam sempre pelos seus compatriotas. Seria melhor fazer alguma aliança e ser um pouco menos imparcial, para que os portugueses que estão presos possam sair, mesmo que seja para o exílio”, disse à agência Lusa.

Carla da Silva lembra que foram libertados norte-americanos, espanhóis, franceses, um checo e vários os alemães e diz que “graças a Deus, foi a [agora] portuguesa que saiu” em liberdade, sublinhando acreditar que é possível fazer “um pouco mais para que os outros companheiros também possam sair em liberdade”.

“Têm que fazer mais (…). Os portugueses [autoridades] são mais bem-humorados, mais imparciais, tentam evitar inconvenientes ou algo assim, mas outros países lutam mais pelo seu povo. E não se pode distinguir se alguém nasceu lá [Portugal] ou aqui, simplesmente somos portugueses”, disse.

E insistiu que não se trata apenas que Portugal “preste mais atenção, porque sempre esteve presente” e a “mãe sempre foi recebida, atendida e ouvida pelo consulado”.

“É a forma, é a luta. É lutar e batalhar pelos seus compatriotas, mesmo que seja para um exílio (…), para que eles sejam libertados, assim como fazem outros países”, frisou.

Sublinhando não saber o quanto se arrisca ao falar porque está à espera para se apresentar no tribunal para conhecer a sua atual situação, se ficará em regime de apresentação periódica, explicou ter sido detida apenas por conhecer uma pessoa que envolvida na operação Gedeon.

“Fui detida pelas Forças de Ações Especiais [FAES], onde fui torturada, e fiquei lá três dias, depois levaram-me para o Serviço Bolivariano de Inteligência [SEBIN, serviços de informações], para o Helicoide, onde fiquei lá cinco anos e quatro meses”.

Foi no SEBIN que recebeu visitas dos familiares, sendo que o Consulado de Portugal esteve presente, explicou, precisando estar convencida de que “há muitos inocentes presos” e que na Venezuela qualquer cidadão “está exposto a isso”.

“Podem prender-te sem qualquer razão, sem qualquer prova, como aconteceu comigo”, disse sublinhando que “não havia provas” que a envolvessem no caso.

Sobre o tempo na prisão, explicou que “foi complicado, porque era inocente” e nunca tinha imaginado estar nessa situação.

“Para a minha família foi muito doloroso, sobretudo nos últimos meses, quando fui transferida para o INOF, onde só recebia a visita da minha mãe e do meu padrasto uma vez por mês. Isso é o mais difícil, despedir-se da família e saber que não pode ir com eles, porque estás privada de liberdade (…),  a despedida era muito dolorosa, assim como os aniversários e os natais”, explicou.

Carla diz ser importante mencionar “que há muitas mulheres presas que não são tidas em consideração” aquando das libertações, apesar de serem pilares do lar, mães, filhas e cônjuges.

“Devem dar mais importância, valorizar o facto de sermos mulheres e de sermos necessárias. E há muitas mulheres que estão presas por terceiros, pelos maridos, pelos filhos, por algum conhecido, que são danos colaterais, mesmo sem estarem envolvidas”, frisou.

No entanto, é da opinião que “as mulheres presas são mais lutadoras, têm muito mais força do que os homens”, que eles “tendem a ficar mais deprimidos”.

 A luso-venezuelana Carla da Silva, condenada a mais de 20 anos de prisão na Venezuela, foi libertada domingo, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.

Em comunicado, o MNE refere que “está a acompanhar o caso e em contacto com a família”.

Fonte do MNE indicou posteriormente à agência Lusa que Carla Rosaura da Silva Marrero estava presa desde 05 de maio de 2020 e que tinha sido condenada a 21 anos de prisão por “conspiração e associação para cometer crimes”.

Carla da Silva tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o Governo da Venezuela.

A sentença foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foram acusados de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.

Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos na cadeia por terem alegadamente participado, em 03 de maio de 2020, na “Operación Gedeón”, também conhecida como “Macutazo”.

Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrubar o Governo do Presidente, Nicolás Maduro, numa operação em que morreram seis dissidentes.

Sequestro, condenação e libertação de Carla. O que se sabe?

luso-venezuelana Carla da Silva, condenada a mais de 20 anos de prisão na Venezuela, foi libertada no domingo. O anúncio foi feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.

Carla Rosaura da Silva Marrero tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o governo da Venezuela.

A condenação

A sentença foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foi acusada de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.

Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos de prisão, por terem alegadamente participado, em 3 de maio de 2020, na Operação Gedeón, também conhecida como Macutazo.

Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrotar o governo do presidente Nicolás Maduro, numa operação durante a qual morreram seis dissidentes.

A libertação

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) deu conta, no domingo, que Carla da Silva acabava “de ser libertada” e que tinha cumprido “até agora, cinco anos, oito meses e 20 dias de prisão”.

O MNE explicou ainda que a mulher estava presa desde 5 de maio de 2020, “e condenada a cumprir 21 anos de prisão pelos crimes de Conspiração e Associação Para Cometer Crimes, pelo caso Gedeón (Tentativa de golpe de Estado e Assasinato de Nicolás Maduro).”  A tutela disse ainda estar “a acompanhar o caso e em contacto com a família”.

Mais tarde, numa publicação nas redes sociais, saudaram ainda “a libertação” e garantiram que continuam a “enviar todos os esforços político-diplomáticos para obter a libertação dos restantes presos políticos”.

A mulher foi detida durante uma festa infantil em 2020, e, nessa altura, os familiares só souberam do seu paradeiro após vários dias. Já então a mãe, Miriam Marrero, dizia que a filha era “uma presa política, uma sequestrada pelo regime”.

luso-venezuelana foi levada por funcionários das FAES para La Quebradita (oeste de Caracas), onde foi interrogada e impedida de regressar a casa. Só passados 20 dias é que os familiares conseguiram saber que Carla da Silva tinha sido detida e onde se encontrava.

Em outubro de 2023, a organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal (FP) pediu às autoridades que libertassem Carla da Silva, então presa preventivamente há mais de três anos.

“Carla da Silva é uma das presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente em 5 de maio de 2020, e encontra-se em El Helicoide [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí […]. Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente”, explicou na altura o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero.

Recorde-se que o governo de Delcy Rodríguez, no poder desde a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro, prometeu desde então um “número significativo” de libertações.

Na sexta-feira, a Plataforma Democrática Unitária (PUD), que reúne a maioria da oposição venezuelana, instou o Governo a publicar uma “lista detalhada” de presos políticos libertados nas últimas semanas, depois de Delcy Rodríguez ter afirmado que 626 pessoas foram libertadas desde dezembro.

No entanto, o balanço não corresponde aos relatórios das ONG. A Foro Penal contabiliza aproximadamente metade deste número no mesmo período.

RCP NEWS

BY ; JOAO CONCEICAO